Crise do estado novo

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  • Publicado : 24 de abril de 2011
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Introdução

Foi-nos proposto pelo Prof. Dr. Fernando Pereira Marques, no âmbito da Disciplina de História Contemporânea de Portugal, a elaboração de um trabalho relativo à Crise do Estado Novo. Toda a exposição encontra-se centralizada a partir do fim dos anos cinquenta até à sua efectiva queda, de acordo com o conteúdo programático da referida cadeira.

Enquadramento teórico

No quediz respeito ao estudo da problemática em questão, o mesmo encontra-se dividido em três capítulos distintos. Adoptando o método cronológico, o primeiro contempla o período compreendido entre 1958 e 1961, ao qual corresponde o Princípio do Fim do Estado Novo. Quanto ao segundo, denominado Um Compasso de Espera, engloba os acontecimentos ocorridos entre 1962 e 1968. Em relação ao último capítulo,Da Reforma Tardia ao Colapso, o mesmo trata das circunstâncias vigentes entre 1968 e 1974.
O objectivo deste trabalho passará por dar a conhecer as principais razões que levaram à queda do Estado Novo, estabelecendo uma ligação com os vários factores de natureza política, económica, social e militar.

Metodologia

A metodologia utilizada na elaboração deste documento assenta numa pesquisabibliográfica efectuada a obras de referência relativas à temática.

1958-1961: O princípio do fim do Império

A conjuntura interna

Cronologicamente falando, não obstante a relativa instabilidade vivida pelo regime durante a fase derradeira da Segunda Guerra Mundial, caracterizada essencialmente por algumas tentativas de golpe mal sucedidas e pouco estruturadas, num climaigualmente marcado por uma certa euforia revolucionária, poder-se-á afirmar que a orientação salazarista da nação portuguesa sofre o seu primeiro desvio a partir das eleições de 1958. Este acto legislativo assinala de forma clara - ao contrário das movimentações radicais de outrora – o início de um longo processo de decadência do Estado Novo, de sentido único e de carácter irreversível.Primeiramente e de forma breve, importa enquadrar as referidas eleições no contexto político, económico e social nos fins dos anos 50. O processo de integração no chamado “mundo livre”, habilmente conduzido por Salazar, viria a trazer consequências – inevitáveis, diga-se – no plano interno. Com efeito, os anos 50 marcam uma profunda transformação económica em Portugal, nomeadamente através do aumento daactividade industrial. Este crescimento resulta de uma crescente aliança entre a burguesia industrial e a banca, constituindo uma poderosa burguesia financeira que, também de forma inevitável, terá impacto a nível social. Neste campo, aliada a uma politização das elites, assiste-se a um forte crescimento da classe operária. No entanto, toda esta lógica de crescimento provoca desequilíbrios,estabelecendo-se um paradoxo entre a sucessiva acumulação de capital e a condição da massa operária. Enquadrando este facto num contexto fortemente repressivo, estão criadas as condições para a existência de um clima de grande descontentamento a nível popular. Politicamente falando, não será demais afirmar que nesta altura existem já sinais evidentes que apontam para uma nova realidadepolítica. Trata-se, por ventura, de uma realidade definida por dois eixos: um dentro do regime e outro fora dele. No que diz respeito ao primeiro, a situação é caracterizada pela existência de profundas divergências entre reformistas e ultras afectos a Salazar. Quanto ao aspecto exterior ao regime, a Oposição encontra-se num processo de reorganização e de clarificação da sua acção política, criando umespaço ideológico que viria a ser ocupado por moderados e liberais. Esta manobra consiste, no fundo, numa tentativa de reforma do regime a partir do seu interior, marcando de forma inequívoca o seu carácter não-comunista. Ainda no campo da Oposição, o próprio PCP tentará ocupar a mesma posição, por via do seu processo de desestalinização e do seu discurso visando uma solução pacífica para os...
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