Crack

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  • Publicado : 8 de maio de 2012
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Faz todo o sentido. No entanto, em decorrência dessa nova política, fecharam-se 16 000 leitos psiquiátricos – mais de 30% do total. E o sistema ambulatorial ainda não engrenou. O número de unidades destinadas a dependentes de álcool e drogas é ínfimo – apenas 200, de um total de quase 1 400. Com escassas possibilidades de internação ou tratamento ambulatorial, os pacientes ficaram entregues àprópria sorte. "A simples eliminação de leitos de internação deixou um rombo na rede de atendimento", diz o psiquiatra Mauro Aranha, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. O efeito desse colapso é que os dependentes químicos acabam empurrados para centros de reabilitação que, em muitos casos, não têm nem autorização para funcionar. O alto preço da internação leva famílias a sedesfazer de seus bens para custear o tratamento. Em geral, os planos de saúde cobrem apenas quinze dias de internação.
Subproduto da cocaína em forma de pedra – que estala quando é queimada, daí o nome –, o crack chegou ao Brasil na década de 90. Durante um bom tempo, ficou restrito a indigentes que perambulavam pelo centro de São Paulo. Hoje, a situação é bem diferente. As pedras se espalharampelo território e por todas as classes sociais. Ainda não há estatísticas – o Ministério da Saúde está concluindo o primeiro estudo voltado especificamente para o crack. Mas o aumento de dependentes em consultórios psiquiátricos e em clínicas de reabilitação mostra que a epidemia se alastra rapidamente. No Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado doRio de Janeiro, até dois anos atrás não havia usuários de crack. Hoje, eles representam quase 30% da demanda. Para enfrentar a epidemia, o Ministério da Saúde anunciou investimentos de 117 milhões até o ano que vem em melhorias na rede de saúde mental. Espera-se que a ajuda chegue a tempo.
Crack é um problema ainda ignorado
O crack é uma droga especialmente perigosa. Provoca aceleradadegradação física e mental, e causa dependência rapidamente. Com o uso regular, vem a paranóia, a sensação de estar sob constante ameaça. A reação a esse quadro é violenta. O crack brutaliza. Põe em risco quem se vicia e, frequentemente, as pessoas que estão à sua volta. Por isso, as famílias que enfrentam esse drama sofrem agudamente com a precariedade da rede pública de atendimento, onde é difícilconseguir vaga para internação e são raras as unidades ambulatoriais preparadas para lidar com viciados nessa droga. 
O desafio é mundial. Na Inglaterra, que tem programas bem-sucedidos no atendimento a viciados em heroína e outras drogas pesadas, os resultados das políticas públicas voltadas para o crack são modestos. No Brasil, o atendimento à saúde mental, que já tinha problemas, ficou ainda maiscaótico com a enxurrada de vítimas de crack. A epidemia se alastrou num momento de mudança na política de saúde mental no país. Desde 2001, com a aprovação da Lei 10 216, a internação deixou de ser encarada como pilar do tratamento de distúrbios psiquiátricos. A ideia é internar apenas pacientes com quadro agudo, que precisam de cuidados especiais e atenção constante por um determinado período. E,superada essa fase, transferi-los para uma rede ambulatorial externa. 
Faz todo o sentido. No entanto, em decorrência dessa nova política, fecharam-se 16 000 leitos psiquiátricos - mais de 30% do total. E o sistema ambulatorial ainda não engrenou. O número de unidades destinadas a dependentes de álcool e drogas é ínfimo - apenas 200, de um total de quase 1 400. Com escassas possibilidades deinternação ou tratamento ambulatorial, os pacientes ficaram entregues à própria sorte. "A simples eliminação de leitos de internação deixou um rombo na rede de atendimento", diz o psiquiatra Mauro Aranha, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Subproduto da cocaína em forma de pedra - que estala quando é queimada, daí o nome -, o crack chegou ao Brasil na década de 1990....
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