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DISCIPLINA: OCEANOGRAFIA

CIRCULAÇÃO NOS OCEANOS
CORRENTES OCEÂNICAS E MASSAS D’ÁGUA
Carla Lima Torres Mendes e Abílio Soares-Gomes

-2007-

1. ATMOSFERA EM MOVIMENTO Os oceanos e a atmosfera são ambos fluídos e estão em mútuo contato físico. Assim, além de terem comportamentos semelhantes, ocorre grande interação entre eles. Na interface atmosfera-oceano, a circulação atmosféricaprovoca na superfície do mar modificações no que se refere à temperatura, salinidade e densidade (ex.: evaporação, precipitação e outros processos) (Fig.1)

Figura 1: Desenho esquemático indicando os principais processos que atuam sobre a superfície e na coluna d’ água.

1.1. MODELOS DE CIRCULAÇÃO ATMOSFÉRICA 10) Terra recoberta inteiramente de água, desprovida dos movimentos de rotação e translaçãoe na posição de um dos equinócios (raios solares incidindo perpendicularmente ao equador). O aquecimento irregular provocado pelo Sol gera uma diferença de pressão entre o equador (baixa) e os pólos (alta). Assim, o ar quente e leve proveniente do equador sobe e segue rumo ao pólos onde sofre esfriamento e desce, enquanto que a camada de ar fria e pesada que vem dos pólos em direção ao equador,sofre aquecimento e sobe, recomeçando o ciclo. Desta forma, forma-se uma única célula entre o equador e os pólos. 20) Terra em rotação: Força centrífuga e Força de Coriolis. Os movimentos descritos no primeiro modelo não ocorrem em linha reta no sentido norte e sul ou vice-versa ao longo de um gradiente de pressão, mas são defletidos pela força de Coriolis, fenômeno que surge com o movimento de rotação da Terra. Assim, o ar é forçado a se desviar para a esquerda no hemisfério sul e para a direita no hemifério norte (Figura 2a). O valor da deflexão depende da velocidade do ar (quanto mais rápido, menor a deflexão) e da latitude (zero no equador e máxima nos pólos), como também do atrito entre o ar que se move e a superfície da Terra (quanto maior o atrito, menor a deflexão) (Figura 2b).(a) (b)

Figura 2: Atuação da força de Coriolis nos hemisférios sul e norte (a) e valores de deflexão em função da latitude (b).

Assim, as camadas de ar formadas adquirem comportamentos distintos. Em ambos hemisférios, a massa de ar que vem do Equador descende aos 300 de latitude (Tópicos de Capricórnio e Câncer) em função de seu esfriamento. Já a camada de ar que vem dos pólos ascende aos600 de latitude, motivado pelo seu aquecimento. Formam-se assim, três células em cada hemisfério: a célula de Hadley (subtropical), a célula de Ferrell (média latitude) e a célula polar. Tal modelo explica a formação de feições relativamente permanentes na atmosfera: os centros de alta pressão sobre os pólos e latitudes tropicais e os centros de baixa pressão em regiões equatoriais e subpolares(Figura 3).

Figura 3: Modelo de circulação atmosférica representando as células de Hadley (1), as células de Ferrel (2) e as células polares (3) em suas respectivas posições latitudinais e os centros de alta pressão (A) e baixa pressão (B).

Como conseqüência, são gerados 3 sistemas gerais de ventos na atmosfera: ventos alísios, que ocorrem entre 0º e 30º de latitude, soprando do leste para ooeste; ventos do oeste, entre 30º e 60º de latitude e que sopram do oeste para o leste; e, por último, vento do leste nas regiões polares, do leste para o oeste (na meteorologia, os pontos cardeais definem a localização da origem do vento, e não o destino, como geralmente se costuma a usar). Tais sistemas de vento são os principais responsáveis pelo equilíbrio de calor no planeta (Figura 4). Nasregiões de encontro das células geralmente não há ventos ou, se ocorrem, são muito fracos e irregulares. Próxima ao equador, essa região é chamada de doldrum ou calma equatorial. Além da ausência de ventos é comum a ocorrência de chuvas causadas pela grande evaporação. O vapor da água ao elevar-se, resfria-se e se condensa, havendo então a precipitação pluvial, muito típica dos finais de tarde...
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