Consumo, hedonismo & necessidades...

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  • Publicado : 24 de julho de 2012
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CONSUMO, HEDONISMO & NECESSIDADES...


Resumo: Este trabalho aborda o Hedonismo que surge como uma busca ao consumo da diversão, comportamento característico de pessoas interessadas basicamente em aproveitar a vida. A chamada sociedade de consumo tem sido vista como algo moralmente condenável, fruto de uma necessidade insaciável e ilegítima de aquisição de bens materiais, que é amplificadapela propaganda. Mas afinal, por que consumimos e qual a importância disso no nosso dia-a-dia?

Palavras-chave: consumismo, hedonismo, fetichismo da mercadoria, sociedade do espetáculo.

É comum, nas grandes metrópoles contemporâneas, o comportamento de certos indivíduos que, diante de carência afetiva, tristeza, solidão, tensão, frustração profissional, estresse ou simplesmente tédio, vãoàs compras. A aquisição de mercadorias, evidentemente, não leva a uma eliminação desses problemas, mas tem um efeito atenuante, paliativo. Também o passeio no shopping, a experimentação desinteressada de roupas ou calçados e a contemplação das vitrines estão se tornando passatempos comuns, articulados ou não à falta de condições econômicas adequadas para se esvair em compras (embora se torne cadavez mais freqüente o consumo compulsivo que ignora a falta de crédito).
Esse ato de refrear uma inquietação a partir do consumo é um exemplo banal, vulgarizado até, da íntima relação que há entre a psicologia individual, entre modos comportamentais e estados sentimentais e a estrutura econômico-social moderna.
Se aceitamos que a configuração desse sujeito moderno é essencialmente formulada apartir da mercadoria, poderíamos pensar até mesmo na "civilização" dos mecanismos psicológicos mais internos pela esfera mercantil, isto é, já que com a modernidade as "emoções vieram a ser localizadas 'dentro' dos indivíduos" (Campbell, 2001: 106) e a partir daí elas são utilizadas para os devaneios e para a experimentação na vida quotidiana, então a vida quotidiana, dominada pela compra e venda, sópoderia levar a uma catexização da forma mercadoria: "quanto mais inexoravelmente o princípio do valor de troca subtrai aos homens os valores de uso, tanto mais impenetravelmente se mascara o próprio valor de troca como objeto de prazer" (Adorno, 1980: 173). Como não é o corpo material da mercadoria o objeto a ser consumido, mas a sua simples forma, então se explica a constante reprodução do"ciclo de desejo-aquisição-desilusão-desejo renovado" (Campbell, 2001: 132), pois é o ato de troca como tal que é o alvo do prazer.
Acompanhando o raciocínio de Campbell e fornecendo-lhe consistência crítica, poderíamos nos remeter à obra de Guy Debord, A sociedade do espetáculo, que, numa das mais originais avaliações da sociedade contemporânea, considerou como desenvolvimento natural da "sociedadedo espetáculo", isto é, da sociedade fetichizada pela mercadoria, a substituição da experiência do ser pelo ter e, posteriormente, do ter pelo parecer.
Debord acrescenta ainda que, o correspondente ao espetáculo é dessa forma, o espectador, o agente e consumidor de um sistema social relacionado à submissão, ao conformismo e ao cultivo de um diferencial vendável. O conceito de espetáculo, alémdisso, envolve uma distinção entre passividade e atividade, consumo e produção, condenando o consumo sem vida do espetáculo como uma alienação da potencialidade humana para a criatividade e imaginação.
A sociedade espetacular dissemina seus produtos manufaturados principalmente através de mecanismos culturais de lazer e consumo, serviços e entretenimento regulamentados pelos critérios dapublicidade e de uma cultura da mídia comercializada.
Se considerada a mercadoria como a unidade básica do mundo moderno, como o nexo responsável pela própria socialização dos indivíduos, deve-se levar em conta que a estruturação do imaginário social, assim como a estruturação da subjetividade individual, baliza-se por essa forma. Assim, seguindo a crítica da economia política marxiana e a ênfase...
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