Consequencias economicas da paz

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“A revolução é uma arma contra a tirania política e a injustiça. Mas que esperança podem os revolucionários oferecer aos que sofrem privações econômicas que não têm raiz em injustiças distributivas, mas cujas causas têm um caráter geral? A única garantia contra a revolução na Europa Central é o fato de que, mesmo quando os homens estão desesperados, a revolução não oferece uma perspectiva de.melhoria.” (J M Keynes)


CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO Uma característica marcante da humanidade é a capacidade de se adaptar ao meio. Achamos que algumas de nossas vantagens posteriores, das mais peculiares e temporárias, são naturais e permanentes; pensamos que é possível contar com elas, e com base nesta premissa fazemos os nossos planos. Estamos preocupados em recolher os fios da nossa vida ondeos deixamos cair, com uma única diferença: muitos de nós parecemos bem mais ricos do que antes. Onde antes da guerra gastávamos milhões aprendemos agora a gastar centenas de milhões, aparentemente sem qualquer problema. Naturalmente, não exploramos ao máximo as possibilidades da nossa vida econômica. Todas as classes fazem planos: os ricos para gastar mais e poupar menos, os pobres para gastarmais e trabalhar menos. Para quem viveu em Paris a maior parte dos seis meses que sucederam o armistício, uma visita ocasional a Londres era uma experiência estranha. A Inglaterra ainda se encontra fora da Europa, cujos tremores silenciosos não a alcançam. A Europa está afastada e a Inglaterra não é parte do seu corpo e da sua alma. Mas a Europa continental é una: França, Alemanha, Itália, Áustria,Holanda, Rússia, Romênia e Polônia vibram juntas - têm uma só estrutura e civilização. Paris foi um pesadelo, e todos estavam envolvidos por uma atmosfera de morbidez. As decisões tomadas pareciam prenhes de consequências para o futuro da sociedade humana; contudo, o contexto insinuava que as palavras não tinham peso - eram fúteis, insignificantes, sem efeito, dissociadas dos fatos. No entanto, emParis os problemas da Europa eram terríveis e clamavam por solução, fazendo com que o retorno ocasional a Londres, que parecia não se preocupar com eles, fosse um pouco desconcertante. Porque em Londres esses problemas eram muito distantes, e só nos ocupavam nossos próprios problemas, menos graves. Em Londres acreditava-se que Paris estava criando uma grande confusão, mas não havia muitointeresse pelo assunto. Mas este livro foi escrito
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sob a influência de Paris, não de Londres; escrito por quem, embora inglês, se considera também um europeu, e, devido a uma experiência recente muito vívida, não pode desinteressar-se pelo desdobramento do grande drama histórico destes dias, que destruirá grandes instituições mas poderá também criar um novo mundo. CAPÍTULO II - A EUROPA ANTES DAGUERRA Antes de 1870 diferentes partes do pequeno continente europeu se tinham especializado na produção de alguns produtos; tomada em conjunto, porém, a Europa era substancialmente autossuficiente, e sua população estava ajustada a essa situação. Depois de 1870 desenvolveu-se em larga escala uma situação sem precedentes, e nos cinquenta anos seguintes a condição econômica da Europa tornou-sepeculiar e instável. A população aumentava mas os alimentos se tornavam mais fáceis de obter, e a agricultura como a indústria passaram a ter um rendimento proporcionalmente maior, devido ao aumento da escala de produção. Até cerca de 1900 uma unidade de trabalho aplicada à indústria produzia cada ano poder de compra de uma quantidade crescente de alimento. Possivelmente por volta do ano 1900 esseprocesso começou a ser inverter, e passou a haver uma redução do produto da natureza em resposta aos esforços do homem. Mas a tendência para o aumento real do preço dos cereais era compensada por outras melhorias. Essa época feliz afastou uma visão do mundo que enchera de melancolia profunda os fundadores da nossa economia política. A era que terminou em agosto de 1914 foi um episódio extraordinário...
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