Como e quando o enfermeiro deve aplicar o método start em um incidente com multiplas vitimas

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ARTIGO DE REVISÃO

196

Tatiana Helena Rech1, Sílvia Regina
Rios Vieira2

Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada
cardiorrespiratória: mecanismos de ação e
desenvolvimento de protocolo assistencial
Mild therapeutic hypothermia after cardiac arrest: mechanism of
action and protocol development

1. Mestre, Médica do Hospital
Dom Vicente Scherer do Complexo
Hospitalar SantaCasa e do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre. Porto Alegre
(RS), Brasil.
2. Doutora, Professora Associada do
Departamento de Medicina Interna da
Universidade Federal do Rio Grande
do Sul – UFRGS – Porto Alegre (RS),
Brasil.

RESUMO
A parada cardiorrespiratória é um
evento de alta mortalidade. A isquemia
cerebral difusa relacionada ao hipofluxo
cerebral frequentemente leva à injúrianeurológica grave e ao desenvolvimento de estado vegetativo persistente. A
hipotermia terapêutica representa um
importante avanço no tratamento da encefalopatia anóxica pós-parada cardíaca.
Seus efeitos neuroprotetores têm sido
amplamente demonstrados em várias
situações de isquemia neuronal. Apesar
de ser um procedimento associado com

redução de mortalidade nesses pacientes,
a hipotermiaainda é um tratamento subutilizado no manejo da síndrome pósressuscitação. Nosso objetivo é revisar
aspectos referentes aos mecanismos de
ação da hipotermia e seus efeitos em pacientes críticos reanimados pós- parada
cardiorrespiratória e propor um protocolo assistencial simples, que possa ser
implantado em qualquer unidade de terapia intensiva.
Descritores: Hipotermia induzida/
utilização;Parada cardíaca; RessuscitaRessuscitação cardiopulmonar/normas

INTRODUÇÃO

Trabalho desenvolvido no Serviço de
Medicina Intensiva do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre Porto Alegre
(RS), Brasil.
Submetido em 7 de Janeiro de 2010
Aceito em 10 de Maio de 2010
Autor para correspondência:
Tatiana Helena Rech
Rua Jaraguá, 456-301- Bairro Bela Vista
CEP: 90450-130 – Porto Alegre (RS),Brasil
E-mail: tatiana.rech@hotmail.com

A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma emergência médica definida como a
cessação súbita e inesperada das funções vitais, caracterizada pela ausência de batimentos cardíacos, ausência de movimentos respiratórios e irresponsividade a estímulos.(1) A despeito da evolução e aperfeiçoamento das manobras de reanimação, a
mortalidade dos pacientes vítimasde parada circulatória persiste muito elevada.(2,3)
A PCR causa cessação abrupta do fluxo sanguineo cerebral, produzindo isquemia
dos neurônios.(4) A extensão do dano neurológico depende do grau de hipoxemia
ao qual o tecido cerebral é submetido, ocorrendo dano permanente após 5 a 10
minutos da completa cessação do fluxo sanguíneo.(5) O estado vegetativo persistente
representa o extremo dessagravidade e caracteriza-se por um estado de inconsciência completa de si mesmo e do ambiente e irresponsividade a estímulos, com
a manutenção do ciclo sono-vigília.(6) Estima-se que 10 a 30% dos sobreviventes
pós-PCR evoluam com estado vegetativo.(7) O custo associado aos cuidados desses
doentes atinjam as cifras dos bilhões de dólares a cada ano.(8)
Muitos estudos tem tentado encontrarfatores prognósticos que possam identificar pacientes com maior risco de desenvolver estado vegetativo persistente. Exame
físico neurológico, eletroencefalograma, tomografia computadorizada, marcadores
bioquímicos de lesão neuronal, potencial evocado somatossensorial, todos esses métodos tem suas limitações e produzem avaliações pouco acuradas do prognóstico,
em maior ou menor grau.(9-13)

Rev BrasTer Intensiva. 2010; 22(2):196-205

Hipotermia terapêutica em pacientes pós-parada cardiorrespiratória

Nesse contexto, a hipotermia terapêutica (HT) tem demonstrado ser um tratamento eficaz em reduzir o dano isquêmico cerebral produzido durante diferentes insultos neurológicos, como no trauma de crânio, nos acidentes vasculares cerebrais, na hemorragia subaracnóide e na anóxia induzida...
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