Clc6 dr4 - urbanismo e mobilidade

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ORIGENS:
A origem dos ciganos está ligada, desde sempre, a fantasiosas extrapolações. Aceites, tolerados ou hostilizados, os ciganos não deixam ninguém indiferente. De maneira geral, pouco se sabe sobre a sua cultura, a sua origem, a sua história e a razão de serem como são, a razão da sua unidade de grupo, a sua língua, a razão da sua presença em Portugal. São questões ainda em aberto. A razãoda diáspora dos ciganos ainda hoje não é de todo conhecida, restando, portanto, hipóteses diversas: umas que assentam no conhecimento da história das regiões pelas quais os ciganos foram passando, outras nos estudos linguísticos e outras ainda no conhecimento das características dos ciganos.
Pensa-se que os ciganos tenham surgido há mais de 3000 anos no norte da Índia. No primeiro milénio da eracristã, terão deixado esta região para se dividirem em dois grupos. O grupo Pechen terá atingido a Europa através da Grécia e o grupo Beni terá chegado à Síria, ao Egipto e à Palestina.

HISTÒRIA:
Segundo Carlos Fontes, são originários da Intuía, os primeiros ciganos terão começado a entrar na Europa por volta do século XII. As primeiras notícias da sua presença em Portugal datam da segundametade do século XV.

Algumas dezenas de anos depois de se instalarem em Portugal, já os ciganos estavam identificados com a imagem negativa que irá perdurar até aos nossos dias e que continuamente será evocada para os reprimir ou expulsar. A comunidade cigana resistiu a tudo e aqui permaneceu.

Hoje enfrenta um novo e decisivo desafio: a integração imposta em nome do progresso e dos direitoshumanos.

Gil Vicente, dedicou-lhes uma peça de teatro - Farsa de Ciganos - representada em Évora, em 1521 ou 1525. Nesta altura, os ciganos são já identificados como comunidade de gente nómada que se dedica a roubar num sítio aquilo que vão vender no outro. Dominam o comércio das cavalgaduras, em especial aquelas que se encontram doentes fazendo-as passar por animais de boa saúde.Celebrizaram-se também por se dedicaram às práticas de feitiçaria, quiromancia e cartomancia.


Percorrem o país em bandos (quadrilhas) a que se juntam não raro, outros foragidos às malhas da Lei.

Evocando tudo isto, D. João III, pelo Alvará de 13 de Março de 1526, proibiu-os de entraram em Portugal, ordenando a expulsão de todos os que aqui viviam. Ao longo dos séculos são inúmeras as leis promulgadascom idêntica finalidade. Sempre mais severas, mas sempre inúteis. Uma das últimas, foi a de D. João V, em 10 de Dezembro de 1718.


A partir do século XIX, o Estado deixou de colocar a questão da expulsão dos ciganos, passando a considerá-los cidadãos portugueses, embora soubesse que estes se auto-excluem de prestar qualquer serviço à comunidade, nem se manifestam dispostos a aceitarem as suasleis.


Nas últimas décadas, o modo de vida dos ciganos pouco se alterou, enquanto Portugal permaneceu um país essencialmente rural. Os ciganos continuaram a ser nómadas, dedicando-se ao comércio ambulante.


O abandono dos campos e a concentração da população portuguesa nas cidades, acabou por forçar os ciganos a sedentarizarem-se, tendo a maioria deles fixando-se nas periferias dascidades, onde continuaram a dedicaram-se à venda ambulante, nomeadamente de produtos contrafeitos.


As tradicionais tendas foram substituídas por bairros de barracas. As carroças puxadas mulas foram substituídas por carrinhas.


Apesar de tudo, os ciganos continuaram a resistir a todo e qualquer processo de integração. As crianças, sobretudo as raparigas, continuaram a não frequentar as escolas.A escola continua a ser vista como uma ameaça à própria sobrevivência das tradições e unidade da comunidade cigana.

Nos anos oitenta do século XX, um crescente número de ciganos envolvem-se no comércio de droga. Famílias e famílias de ciganos e não ciganos são destruídas por este negócio que marcará esta comunidade. Este comércio acaba por reacender por todo o país as manifestações racistas...
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