Cieps

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EDUCAÇÃO INTEGRAL E POLÍTICA SOCIAL:
ESBOÇO DE UM PROBLEMA A PARTIR DA EXPERIÊNCIA DE IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DOS CIEPs

Paulo Sérgio Ribeiro da Silva Jr.
Bacharel em Ciências Sociais (UENF)
Mestrando em Políticas Sociais (PPGPS-UENF)
Membro do HISTEDBR – Núcleo da UENF
paulosrsj@yahoo.com.br

Adelia Maria Miglievich Ribeiro
Professora Dra. do Dept. de Ciências Sociais e do
Programa dePós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCSO- UFES)
Professora Colaboradora do PPGPS-UENF
Pesquisadora do HISTEDBR – Núcleo da UENF
miglievich@gmail.com


Resumo: Os autores propõem a análise do programa dos Cieps, no Estado do Rio de Janeiro, do ponto de vista de uma avaliação política de uma política social, demonstrando a tensão da luta política quando da entrada dos educadores que passarama se digladiar em torno de alguns aspectos tais como: 1) o caráter democrático ou segregacionista da experiência ao privilegiar os segmentos mais pobres dentre os mais pobres, portanto, o sentido mesmo da escola pública, somado à aposta na diferença e não na homogeneização de sua clientela; 2) a prática pedagógica que, centrada no aluno e em sua motivação, de um lado, valorizava seu capitalcultural na crítica à escola elitista, de outro, acarretava a supressão da figura do professor e danos no processo de ensino-aprendizagem que acabaram por estigmatizar o aluno do Ciep ao invés de promovê-lo. Na explicitação de ideologias em confronto, busca-se perceber o quanto uma política pública inovadora ao atingir o nó górdio da justiça distributiva em nosso país depende de bases consensuaismínimas sem as quais sua eficácia é comprometida.

Palavras-chave: Ciep, educação integral, política social.

Introdução

Não é de pouca monta a complexidade do debate suscitado pela experiência dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), posto que a relação entre educação e política não se apóia em fáceis consensos. O tema é associado a proposições teóricas e normativas conflituosasacerca não apenas de concepções de escola e de educação, mas do lugar da responsabilidade coletiva ou pública e daquela individual e privada na condução da vida, daí haver inevitáveis vínculos a projetos de sociedade, por vezes, antagônicos, ainda quando se busca mostrar que tais experiências de educação em horário integral realizam-se em países cujos governos expressam diferentes matizesideológicos. Além disso, o êxito ou não dos Cieps haveria de ter conseqüências eleitorais para uma dada corrente político-partidária liderada, então, por Leonel Brizola, à frente do Partido Democrático Trabalhista (PDT). As escolas implantadas no Programa Especial de Educação (PEE) no governo de Leonel Brizola (1922-2004) no Estado do Rio de Janeiro entre 1983 e 1987 foram a principal bandeira do partidona corrida presidencial. Tais considerações preliminares indicam que uma análise deste programa educacional exige-nos a atenção a variáveis que ultrapassam uma avaliação simples que tenderia, de antemão, a classificar os Cieps, hoje, como uma experiência fracassada. Interessa interrogar acerca da política, particularmente, no Estado do Rio de Janeiro, que teria propiciado este dito fracasso.O estado atual de precariedade e abandono dos Cieps é, sem dúvidas, uma realidade tangível e, também, uma representação coletiva construída tanto por opositores quanto pela população em geral, demandando dos pesquisadores o cuidado na análise das relações de força que dotam de sentido uma política pública. Sem nenhuma pretensão de conduzir esse trabalho conforme o empirismo ingênuo que nega osvínculos entre conhecimento e interesse, reconhecemos a necessidade da vigilância epistemológica ao interpretar as posições e oposições acerca do Programa dos Cieps, acima de nossa própria opinião a favor ou contra o mesmo. Este desafio considera a singularidade desse programa de educação integral estar, incontornavelmente, ligado às figuras públicas de Darcy Ribeiro (1922-1997) e, conforme já...
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