Ciencias sociais

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Ciências Sociais
DA RELAÇÃO INDIVÍDUO E SOCIEDADE
Indivíduo-sociedade não pode fixar essas duas realidades como autônomas, distintas, independentes, dicotômicas ou ausentes em reciprocidade. Ela deve se definir mais no sentido de apreender a relação existente entre o indivíduo e a sociedade, com as suas tramas e nexos aparentes e ocultos, do que descrever, caracterizar ou buscar laços comunsentre esses elementos.
Isso porque a relação indivíduo e sociedade não são tranquilas nem lineares. Possui componentes de tensão, conflito e antagonismos entre o subjetivo e o objetivo, a vida individual e a vida coletiva, em inter-relação e espaço de embate. Essa tensão e antagonismo, no entanto, não se pode dizer que impeçam um movimento constante de criação e recriação da vida individual e davida coletiva. Ao contrário, mesmo tensionados, indivíduo e sociedade se constituem num processo único.
Sua relação é, portanto, bastante complexa e, para ser apreendida, deve ser desdobrada em seus elementos constitutivos essenciais.
A
“a máquina do mundo se entreabriu para quem de rompê-la já se esquivava e só de o ter pensado se carpia” Carlos Drummond de Andrade
No pensamento contemporâneo,sobrevive uma tendência de considerar tanto o indivíduo como a sociedade como realidades distintas.
No geral, o conceito de sociedade costuma estar referido a uma unidade indissolúvel, funcional e integrada, que se estabelece sobre estruturas imutáveis e cristalizadas e corresponde ao resultado da soma de particularidades complementares: um universal no qual o particular se resolve, dissolve enão se expressa. Nessa perspectiva, o conceito de indivíduo guarda uma conotação exclusivamente singular e particular.
É verdade que, desde o seu aparecimento, esse foi o significado da palavra indivíduo, que se referia a algo indivisível que possuía características muito peculiares de diferenciação. Mas a palavra indivíduo, tradução do latim atomon, se remetia ao indivisível, não se referia,necessariamente, à pessoa humana. Contudo, tanto nessa conceituação lógica inicial, que não se relacionava ao ser humano concreto, quanto numa compreensão ontológica posterior, que considerou o indivíduo na sua irrestrita singularidade, o que prevaleceu foi a sua caracterização individual e não a compreensão da relação desse indivíduo com outros indivíduos em condições históricas e sociais determinadas.O conceito de indivíduo, portanto, expressa nessas formulações um singular no qual a particularidade histórica e a universalidade humana se diluem e, aparentemente, se anulam.
Essa separação e mesmo contraposição entre indivíduo e sociedade, que expressa uma tendência de muitas e variadas reflexões no âmbito das ciências humanas e sociais, especialmente na Psicologia, tem fundamento na ideia,muito comum já no século XVIII, de uma natureza humana pré-determinada e a histórica. Portador de uma natureza que o definia a priori, independentemente de suas relações sociais, o homem seria, quando muito, um ideal natural a ser perseguido e restaurado, nunca um ser em construção em condições específicas e determinadas.
Os profetas do séc. XVIII, (...) imaginam este indivíduo do século XVIII –produto, por um lado, da decomposição das formas feudais de sociedade e, por outro, das novas forças de produção que se desenvolvem a partir do séc. XVI – como um ideal, que teria existido no passado. Veem-no não como resultado histórico, mas como um ponto de partida da História, porque o consideravam como um indivíduo conforme a natureza - dentro da representação que tinham de
natureza humana - ,que não se originou historicamente, mas foi posto como tal pela natureza” (MARX, 1978, p.103-104).
Com o Liberalismo, sob a influência da livre concorrência, surge a funcionalidade de se considerar o indivíduo autônomo, independente.
Num momento em que as relações capitalistas de produção já se encontravam consolidadas e desenvolvidas, era necessário que o indivíduo fosse “livre”, autônomo e...
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