Cidadao de papel

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 106 (26278 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 22 de junho de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
O Cidadão de Papel Gilberto Dimenstein

Este livro constitui uma surpresa agradável para a juventude. Muito raramente um autor se dirige de maneira adequada aos jovens para se comunicar na linguagem deles, sobre assuntos sérios que afetam seus direitos. Gilberto Dimenstein é um jornalista e autor sinceramente preocupado com os problemas da infância e da juventude de seu país. Acredita, aocontrário de muitos outros, nas soluções oferecidas pela nova geração para os problemas que o Brasil está enfrentando. E para que os jovens possam participar das soluções, devem entender os (muitas vezes bastante complexos) processos econômicos, políticos e sociais. Gilberto teve a genial idéia e a genuína preocupação de tornar possível a participação prá valer da juventude. A UNICEF aplaude esteesforço louvável e defende a maior divulgação do livro entre os jovens, seus pais e os verdadeiros estadistas desta Nação. Agop Kayayan Representante da Unicef no Brasil.

Apresentação A verdadeira democracia, aquela que implica o total respeito aos Direitos Humanos, está ainda bastante longe no Brasil. Ela existe apenas no papel. O cidadão brasileiro na realidade usufrui de uma cidadania aparente,uma cidadania de papel. Existem em nosso país milhões de cidadãos de papel. Desvendar as engrenagens que produzem este tipo de cidadania, eis o objetivo deste livro. Essas engrenagens estão diante dos nossos olhos. Convivem com nosso dia-a-dia. Nós fazemos parte delas. Nós as produzimos. Todos os cidadãos têm mais ou menos responsabilidade na produção de violência, de desemprego, do êxodo ruralque incha as cidades, do analfabetismo, da mortalidade infantil. Gilberto Dimenstein vem expondo esta realidade há um certo tempo. Neste livro ele dá mais um passo no aprofundamento do tema. Sua preocupação não se restringe a denunciar os casos mais graves de desrespeito aos Direitos Humanos. Vai bem mais além, mostrando justamente que, caso não sejam enfrentadas suas causas mais profundas, nossacidadania não passará de uma cidadania de papel. Este livro poderá ganhar uma força extraordinária nas mãos dos jovens que o utilizarem para estudo e reflexão. Com ele poderão contribuir para mudar radicalmente o conceito de cidadania que vigora em nosso país. Os editores

Prefácio Este livro começou a surgir quando vi uma cena estranha: 1 400 pés de adolescentes no ar. Foi em 1991, na primeiravez em que fiz uma palestra para jovens. Até aquele dia, costumava falar para pessoas com curso superior, interessadas em ouvir um relato jornalístico sobre a violência contra a criança carente. Era em uma escola de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, onde fui lançar o livro A guerra dos meninos. Eu estava preocupado. O pessoal podia começar a bocejar, achando que o assunto era muitochato. E não sabia se ia conseguir falar de um jeito que todo mundo entendesse. Fiquei mais preocupado ainda quando cheguei ao ginásio de esportes lotado de gente. Eram setecentos garotos e garotas. Pensei que ia falar para uma classe de umas cinquenta pessoas. Subi num pequeno palanque onde colocaram o microfone e uma mesa. Olhei para aqueles rostos intrigados e me deu branco. Nãosabiaporondecomeçarnemo que falar. Mesmo sem ter sede, tomei um copo de água devagarinho. Era para ganhar alguns preciosos segundos. Por sorte, eu estava segurando um jornal, que trazia naprimeira pagina uma notícia sobre gangues de adolescentes em São Paulo. Eles atacavam estudantes só para levar um tênis. Machucavam e até matavam para roubar. Por causa dessas gangues, tinha gente indo armada para a escola. Umjovem contava que nunca mais usou um tênis novo, de medo. Foi então que tive uma idéia salvadora. Pedi para todo mundo levantar os pés. Não entenderam e pedi de novo. Obedeceram, rindo e fazendo caras de espanto. Pedi para abaixar os pés. Eles ficaram olhando para mim como se eu fosse doido. Esperei alguns segundos e disse que tinha acabado de ver setecentos motivos para eles serem vítimas de...
tracking img