Ceifeira

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  • Publicado : 21 de fevereiro de 2013
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Na primeira parte o sujeito lírico descreve a ceifeira e o seu canto.
“Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia / De alegre e anónima viuvez”
 
Na segunda parte, o sujeito lírico exprime a sua emoção em relação ao canto da ceifeira.
“O que em mim sente  'stá pensando”
“ Ter a tua alegre inconsciência”
 
Ceifeira: 
. “pobre” e duma “anónima viuvez”
. Julga-se “feliz”
. Símbolo de harmonia,inconsciência e tranquilidade.
. Canta
. incerta voz
. Alegre inconsciência
“ E canta como se tivesse / Mais razões para cantar que a vida”.
O Canto:
. Era suave, “ondula como um canto de ave”( a voz)
. “Alegre” porque talvez ela se julgasse feliz, mas ela era “pobre” e a sua voz “cheia de anónima viuvez”.
. Inconsciente -a ceifeira canta “como se tivesse… razões para cantar”. Não as tem.
.Encanta e prende o poeta
Desejos e estado de espírito do sujeito Poético
. Deseja ser ela
. Desejava a inconsciência da ceifeira por ser (para ela) a única causa da sua alegria.
. O poeta é incapaz de permanecer ao nível das sensações, transforma-as de imediato em ideias
Dor de pensar
. O poeta sente a “dor de pensar” e deseja libertar-se dela
. Dor de pensar é um factor que invade a mentedo poeta e o impede de viver plenamente a vida, ou seja, a extensão dos seus sentimentos é constantemente diminuída pela vastidão do seu pensamento
. “Pensa que a vida só vale a pena ser vivida quando vivida sem pensamento”
. “Mais feliz é aquele que vive na ignorância”
“Ah, poder ser tu, sendo eu! / Ter a tua alegre inconsciência, / E a consciência disso!”.
Esta composição poética pode serdividida em duas parte lógicas. Na primeira parte, constituída pelas três primeiras estrofes, o poeta descreve a ceifeira e sobretudo o seu canto, canto instintivamente alegre. Esta descrição seria objectiva, se o poeta não introduzisse aqui a sua perpectiva: o canto da ceifeira era “alegre” porque talvez ela se julgasse feliz, mas ela era “pobre” e a sua” voz cheia de anónima viuvez”. Por isso,“ouvi-la alegra e entristece”: alegra se atendermos às razões instintiva da ceifeira, entristece se a virmos na perspectiva total do poeta. Há pois, já, nesta primeira parte um grau de subjectividade do poeta que vai adensar-se no segundo momento.
Na segunda parte, o poeta exprime a sua emoção perante a canção inconscientemente alegre da ceifeira. Podemos, ainda, subdividir esta segunda parte em doismomentos. Primeiramente, o poeta lança um apelo à ceifeira para que continue a cantar a sua canção inconsciente, porque esta emoção o obriga a pensar, e a desejar ser ela, sem deixar de ser ele, e ter a sua “alegre inconsciência e a consciência disso”. Note-se que o poeta aspira ao impossível, pois ter a consciência da inconsciência é deixar de ser inconsciente!
O sujeito lírico, ciente destaimpossibilidade (a ciência pesa tanto!), lança uma apóstrofe ao céu, ao campo, à canção, personificados, pedindo-lhes que entrem dentro dele, o transformem na sombra deles e o levem para sempre. Paira aqui aquela dor de pensar tão habitual nos poemas de Fernando Pessoa. Mais um paradoxo do grande poeta , o qual tendo sido o que mais se serviu da inteligência, se sentiu um ser torturado, por ser umser pensante, daí a sua aspiração pela alegre inspiração da ceifeira.
A nível morfo-sintático, nas três primeiras estrofes, o tempo verbal predominante é o presente,que projecta a voz doce da ceifeira, deslizando suavemente na imaginação do poeta que nela medita. A própria repetição das formas do presente (canta-três vezes; ondula) sugere a imagem da ceifeira a cantar a deslizar na imaginação dopoeta. A mesma sugestão da passagem lenta do tempo, acomodada à meditação do poeta, é dada pelo recurso à perifrástica e pelo gerúndio. Na segunda parte do poema, predomina o imperativo para traduzir o apelo do poeta, em nítida função apelativa da linguagem, e também o infinitivo com valor optativo.
Note-se a expressividade do gerúndio, na frase apelativa: "Derrama no meu coração a tua incerta...
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