Camus, kadafi e a ditadura das drogas

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ÉTICA DA ALTERIDADE APLICADA AO ENFRENTAMENTO
DA DROGADIÇÃO JUVENIL: UMA PERSPECTIVA TRANSDISCIPLINAR
Otoniel d’Oliveira Chagas Bisneto

A priori, devo confessar que provei o sabor travoso de uma dúvida. Durante esses dias busquei uma forma original de falar sobre problemas antigos problemas que nos assolam e assombram a perspectiva futura da raça humana. Confesso que passeei porliteraturas científicas, religiosas e procurei em conhecimentos populares a melhor maneira de me expressar sobre o enfrentamento da drogadição juvenil.
Meu comportamento causou estranheza até mesmo em minhas relações privadas. O comportamento extrovertido deu lugar ao ensimesmamento silencioso. O olhar divertido foi trocado pelo vaguear no horizonte em busca de inspiração...
Salvo engano, ThomasEdison disse que invenção é um por cento de inspiração e 99% de transpiração. Essa parcela de um por cento me surgiu ao lembrar de um quadro do programa “Os Trapalhões” – e, por favor, não pensem que sou um “fóssil”. Não sei nem me perguntem o porquê, somente me deparei a lembrar desse quadro humorístico animado pela música de Chico Buarque de Holanda: “Todo dia ela faz tudo sempre igual/ Me sacode àsseis horas/ Me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de café...”
Ao balbuciar a letra dessa música, ocorreu que todo dia eu faço tudo igual. Daí que uma perna puxa a outra. Todo dia nós fazemos tudo igual e repetimos tudo igual até mesmo os finais de semana. O futebol, o salão de beleza, a faxina, contas, dívidas,..., dia das mães, dos namorados, dos pais, feriados, dias santos, tudoigual, mês a mês, ano a ano.
Vivemos tão “igualitariamente” que, também não nos damos contas dos eventos catastróficos e violentos dos últimos anos. Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais, Hiroshima e Nagazaki, Anne Frank, Vietnã, Malvinas, Guerra do Golfo, 11 de setembro, tsunamis, acidentes aéreos, Fokker 100 da TAM, terremotos na Itália, submarino Kursk e mais recentemente alagamentos noNordeste e seca no Sul. A Aldeia Global que nos tornamos nos possibilita sentirmos de perto a dor que assola o nosso “vizinho” nesse mundo globalizado onde apesar da distância física tudo está próximo. Tudo isso nos causa um mal estar.
Por isso, acredito que “não se pode falar de mal-estar sem que se aluda ao sujeito, já que o mal-estar se inscreve sempre no campo da subjetividade” (BIRMAN,Joel. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. 5.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005, p. 15). Nesse momento, ao analisar os fatos, o faço a partir das minhas circunstâncias pessoais e profissionais, haja vista que nós não “falamos todos do mesmo lugar” (SOUZA, Ricardo Timm de. Sobre a construção do sentido: o pensar e o agir entre a vida e a filosofia.São Paulo: Perspectiva, 2004, p. 15). Procedo a essa análise, de modo transdisciplinar, com fulcro em vivências anteriores, saberes empíricos e científicos, enfim na melhor forma de apreensão do mundo na perspectiva de entender qual ou quais ou mesmo o conjunto de fatores que predispõe e expõe mais exacerbadamente a juventude aos danosos eventos da drogadição.
Destarte, percebo que, em meios atantos avanços técnicos e tecnológicos, os meios de comunicação nos apresentam uma forma de mundo pelo prisma de sua perspectiva totalizante. Na busca desenfreada por audiência acontece uma afastamento do real e um exaurimento do Eu, oferecendo às pessoas uma sensação de “poder ser” o que quiser, todavia não distinguindo que o “ser” que se apresenta como “escolha” está anteriormente estabelecidopor meio da razão totalizante através dos meios de comunicação, das propagandas de aparelhos celulares, carros, bebidas, comidas, fast food etc.
Nessa perspectiva, parece que vivemos como autômatos e nem nos damos conta de coisas simples como o verde do jardim que sempre fica em segundo plano diante do fundo do relógio sempre lembrando que estamos atrasados para algum compromisso consigo...
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