Caiana, coco e ciranda: as cirandeiras de caiana dos crioulos e a arte de (re) inventar as tradições e o cotidiano

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CAIANA, COCO E CIRANDA:
AS CIRANDEIRAS DE CAIANA DOS CRIOULOS E A ARTE DE
(RE) INVENTAR AS TRADIÇÕES E O COTIDIANO
JANAILSON MACÊDO LUIZ (PIBIC/UEPB)
janailsonmacedo@hotmail.com
MARIA LINDACI GOMES DE SOUZA (UEPB/ORIENTADORA)
mlgsouza26@hotmail.com
Este artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa que teve como foco
principal um dos dois grupos de “cirandeiras” existentes nacomunidade quilombola
Caiana dos Crioulos, localizada na zona rural do município de Alagoa Grande, Brejo da
Paraíba. O estudo objetivou analisar, através de fragmentos de memórias expressos nos
relatos orais das componentes do “Grupo de Ciranda e Coco de Roda Caiana dos
Crioulos”, a importância da ciranda e do coco de roda na formação identitária, no
cotidiano e nas histórias de vida destasmulheres, assim como perceber mudanças e
continuidades entre a ciranda e o coco de roda do presente e as cirandas e os "cocos" do
passado da comunidade1, procurando fazer uma interface entre estas manifestações.
Não é de hoje que a ciranda2 e o coco de roda3 fazem parte do cotidiano de
Caiana dos Crioulos. Todavia, a existência de um grupo de “cirandeiras”4 é produto da
história recente dacomunidade e está intrinsecamente relacionado com o atual contexto
histórico de aceleração da globalização, deslocamento das identidades culturais (HALL,
1 O conceito de comunidade aqui utilizado só faz sentido devido a sua presença no dia-a-dia das
colaboradoras do nosso estudo. Deste modo, não estamos utilizando este conceito como abreviação de
comunidades remanescentes de quilombos ou comoalgum conceito de cunho teórico.
2 Manifestação cultural onde dançarinos formam uma grande roda e dão passos para fora e para dentro do
círculo, ao som de uma música puxada pelo mestre-cirandeiro e respondida por todos os participantes
3 Dança de roda ou de fileiras mistas onde há uma linha melódica cantada em solo pelo “tirador” eu
“coquista”, com refrão respondido pelos dançadores.
4 Existematualmente dois grupo de “cirandeiras” em Caiana dos Crioulos, ambos criados recentemente, a
partir de uma divisão no Grupo de Ciranda e Coco de Roda Margarida Maria Alves, que também é
produto da História recente da comunidade.
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2006), valorização do multiculturalismo e emergência de novas designações identitárias,
como é o caso do conceito de remanescentes quilombolas (ARRUTI, 2006).Durante a pesquisa, mostrou-se fundamental o trabalho com a relação: memória,
identidade e preservação do patrimônio imaterial; principalmente ao ser vinculada com
os métodos e técnicas da História Oral, que permitiram não só o recolhimento dos
depoimentos das colaboradoras, mas também auxiliaram na produção de fontes orais
que poderão ser utilizadas por outros pesquisadores e, sobretudo, pelaspróprias sujeitas
que colaboraram com a pesquisa, colaborando para a preservação de parte do
patrimônio intangível da comunidade.
Usos da História Oral
Meihy dá várias conceituações à História Oral. Numa delas a História Oral é
vista como um “recurso moderno usado para a elaboração de documentos, arquivamento
e estudos referentes à experiência social de pessoas e de grupos” (1996, p. 17-18). Esterecurso pode ser utilizado: 1) quando inexistem documentos suficientes sobre
determinado tema, assunto ou grupo social, como no caso do nosso estudo; 2) quando se
quer confrontar o que consta nos documentos oficias com as versões e representações
dos sujeitos que vivenciaram determinados “fatos” históricos; 3) quando se quer contar
uma “outra história”, o que também pode ser exemplificadopelo nosso estudo, que
objetiva apresentar à sociedade histórias das populações negras que geralmente não são
contempladas pelas discussões acadêmicas, gerando o apagamento da importância deste
segmento na formação da sociedade brasileira e paraibana.
O projeto de pesquisa em História Oral deve definir a colônia (grupo de pessoas
a ser estudado), a rede (subdivisão da colônia que define...
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