Bahia

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  • Publicado : 9 de dezembro de 2012
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Casas Bahia e seus concorrentes

A Casas Bahia, maior rede varejista de eletrodomésticos e móveis do país, é um dos grandes fenômenos da história recente do capitalismo brasileiro. Talvez o maior. Muitas empresas de varejo se especializaram em viabilizar financeiramente os desejos de consumo das classes C, D e E, a s mais populosas do Brasil. Mas nenhuma atua com tamanho grau de ousadia como arede de Samuel Klein. Nos últimos quatro anos, seu faturamento quase triplicou -- uma marca invejável até para as mais agressivas companhias americanas. As cifras referentes a 2010 são particularmente superlativas. No período de apenas um ano, a Casas Bahia superou a marca de 500 lojas e suas receitas passaram de 6 bilhões para 16 bilhões de reais. Só a diferença referente ao acréscimo nas vendas-- de 10 bilhões -- equivale ao faturamento estimado para 2012 do Ponto Frio, maior concorrente da rede. De cada cinco aparelhos de televisão vendidos no país no ano passado, um saiu das prateleiras da Casas Bahia. Cerca de 10 milhões de celulares -- ou um sexto de todos os aparelhos vendidos no país -- também foram comercializados pela empresa. Por dois anos consecutivo, a rede montou noAnhembi, em São Paulo, a maior loja de eletroeletrônicos e móveis do mundo.

A dimensão e a velocidade do crescimento acabaram por levar a rede a uma encruzilhada financeira. Nos últimos meses, sua necessidade de financiamento foi tão grande que os banqueiros passaram a dificultar a concessão de crédito. Há alguns anos, o obstáculo foi vencido, com a assinatura de um contrato com o Bradesco, maiorbanco privado do país. Com o acordo, o Bradesco passa a financiar diretamente parte da clientela da Casas Bahia -- o que representará, no mínimo, 100 milhões de reais mensais em empréstimos. Mais do que um desafogo financeiro, a parceria com o banco abriu caminho para que a família Klein pudesse colocar em marcha o mais ambicioso plano de expansão de sua história. "Queremos chegar a 1 000 lojas nofinal de 2014", diz Michael Klein, diretor e filho do fundador da empresa, Samuel Klein. "Quando estivermos lá, nosso faturamento vai atingir 20 bilhões de reais." Caso a promessa falada se torne realidade, a Casas Bahia crescerá -- em apenas seis anos -- mais do que nos seus 52 anos de existência somados.

As conseqüências do poder emanado por tal expansão se espraiam em duas direções. Aprimeira, previsível, leva à concorrência. A segunda atinge a outra ponta da cadeia de negócios -- os fornecedores. Guardadas todas as diferenças e proporções, a Casas Bahia representa no Brasil o que o Wal-Mart, maior empresa do mundo em faturamento, representa nos Estados Unidos. Grande parte da vantagem competitiva da rede de supermercados fundada por Sam Walton está nos enormes volumes comprados enos descontos decorrentes conseguidos com os fornecedores. Um fenômeno semelhante acontece com a Casas Bahia. "Hoje, no Brasil, quem quer ter participação relevante em seu mercado tem de vender para nós", diz Michael Klein, sem esconder a satisfação de comandar o mercado. "Se uma grande empresa não aceitar as nossas condições, basta olhar para o lado que há outras fazendo fila para conseguir umlugar nas nossas prateleiras."

Ao aumentar o número de lojas e os mercados atingidos, a tendência é que a Casas Bahia eleve ainda mais essa pressão daqui para a frente. "A indústria muitas vezes vai perder dinheiro, vendendo com margens negativas para a rede, simplesmente para se manter no mercado", diz Francisco Alvarez, professor do Ibmec, uma das mais conceituadas escolas de negócios do país.Ao mesmo tempo que consegue vantagens econômicas, a escala garante à empresa dos Klein uma espécie de blindagem contra crises. No mercado, é comum que se diga que, se a Casas Bahia der um espirro, toda a indústria de eletroeletrônicos do país pega pneumonia.



O crescimento da rede
Evolução de faturamento da Casas Bahia nos últimos anos, em bilhões de reais
2007 4,0
2008 6,0
2009 7,0...
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