Autenticidade africana e filsofia

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  • Publicado : 9 de outubro de 2011
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AUTENTICIDADE AFRICANA E FILOSOFIA.
FABIEN EBOUSSI BOULAGA (Bafia- Camarões 1934)

Fabien Eboussi Boulaga é com certeza um dos principais filósofos e teólogos africanos.
A obra de Eboussi Boulaga que analisamos é: LA CRISE DU MUNTU. AUTHENTICITÉ AFRICAINE ET PHILOSOPHIE (nossa referência será: Autenticitá africana e filosofia. La crisi del Muntu: intelligenza responsabilitá, liberazione, Ed.Marinotti, Milano, 2007)

Este livro è um clássico da “filosofia africana” que nos permite conhecer um entre os mais cultos e interessantes filósofos africanos do panorama intelectual contemporâneo, Fabien Eboussi Boulaga. Quando saiu este texto, Eboussi já era um protagonista, pois tinha contribuído significativamente ao debate das novas teologias africanas que estavam a nascer.
“O que revelae no mesmo tempo esconde a pretensão africana de possuir filosofias?” (p.49). A esta pergunta inicial responde com aquilo que será o fio vermelho de todo o seu texto: “O desejo de afirmar uma humanidade negada ou em perigo de existir graças a si mesmos, na conexão entre o ter e o fazer, segundo uma ordem que exclua a violência e o arbítrio” (idem). Informamos que com o termo “Muntu” se entende ohomem africano, o mais precisamente “é o homem na condição africana, que deve afirmar-se lutando contra quanto contesta a sua humanidade e a coloca em perigo. Depende dele avaliar a sua situação, considerar sobre o que possa contar o não para abrir-se um espaço, o seu lugar no mundo, no diálogo entre os lugares nos quais ele se constitue concretamente” (n.22, p.12). Uma filosofia ingénua deformaeste desejo e impede a sua realização.
Na delineação desta problemática, o autor apresenta três proposições: 1) em filosofia, a abstracção do tempo, do lugar, das relações, “desconhece o que o desejo de filosofia no mesmo tempo esconde e revela” (p.53); 2) consequentemente este desconhecimento torna insignificantes tais discursos, que visam alcançar o projecto do Muntu; 3) finalmente a abstracçãotorna a filosofia uma ideologia submissa ao poder, ao serviço das forças.
Porque reivindicar o direito à filosofia? Geralmente se responde porque filosofar pertence ao homem o qual não pode renunciar a fazer isso, assim que filosofar é exercitar a própria humanidade e pretender que esta seja reconhecida; outra resposta é poque a filosofia é universal como a razão e a vontade de fazer filosofia évontade de atingir o universal; ou ainda, porque a filosofia é indispensável, e consequentemente segundo o ensinamento canónico, precisa entrar no corpus dos autores, limitar-se a citar os grandes mestres, evitando a originalidade pois esta não é necessária e pode levar até a conceitos irracionais.
Eboussi retruca criticamente: a filosofia é algo de típico do homem ou é um fenómeno histórico? Sea filosofia é própria do homem, porque não a encontramos em todos os lugares onde há homens e em todas as épocas? Se a filosofia é algo de próprio da natureza humana porque então começa mesmo denigrindo ou abolindo aquilo que faz propriamente parte da natureza humana como o mito, os provérbios e todas as fontes de sabedoria que não sejam conformes ao seu estilo?
É urgente uma análise crítica semperder de vista o projecto do Muntu: “existir graças a si e por si, para a conexão e na conexão entre o saber e o fazer, segundo uma ordem que exclua a violência e o arbítrio”.
A filosofia europeia criou uma dicotomia entre o dominador e o dominado. O primeiro é aquele que é porque tem: possui arte, industria e ciência, religião e filosofia; o segundo não é porque não tem: possui somente magia,superstição, mitologia e cosmogonias grosseiras. Para o Muntu, consequentemente, assumir a filosofia é transformar o dominador num centro de humanidade e o seu desejo de filosofia é somente ânsia de aceder à humanidade do patrão. Daqui parte a obra de civilização dos vencidos, que anelam a esta assimilação. O “evoluído” se torna um “burguês” quando tem a permissão de ocupar o lugar do patrão,...
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