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4A alf abetizaçào
Psicogênese da língua escrita

Os anos 80 assistiram, no Brasil e na América Latina, a um crescente interesse pelo tema da alfabetização inicial. A constituição e o aprofundamento dos debates sobre este tema específico podem ser testemunhados pelo grande número de seminários, mesas-redondas, artigos e textos publicados durante o período. A difusão rápida das idéias deEmilia Ferreiro dirigiu grande parte da reflexão teórica e da discussão sobre a alfabetização, não só entre pesquisadores, mas também entre um grande número de professores atingidos pela divulgação dos postulados desta pesquisadora.
Emilia Ferreiro é argentina de nascimento e psicopedagoga de formação. Doutorou-se pela Universidade de Genebra, orientada por Jean Piaget, de quem posteriormentetornou-se colaboradora. Iniciou suas pesquisas empíricas na Argentina, em trabalho conjunto com Ana Teberosky, e os resultados foram publicados na obra Los sistemas de escritura en e/ desarro//o dei nino, em 1979. Posteriormente, transferiu-se para a Cidade do México, passando a dar aulas no Instituto Politécnico Nacional - ao mesmo tempo coordenava grupos de pesquisa. O seu primeiro livro traduzidono Brasil, Psicogênese da língua escrita, representou uma grande revolução conceitual nas referências teóricas com que se tratava a alfabetização até então, iniciando a instauração de um novo paradigma para a interpretação da forma pela qual a criança aprende a ler e a escrever.
Ao lado da consistência teórica que tais investigações
exibiam, a participação freqüente da própria Emilia Ferreiroem eventos de apresentação e difusão de suas concepções trouxe uma outra dimensão à divulgação de suas idéias. O carisma pessoal exibido pela investigadora tem como um dos elementos que o explicam o caráter de inserção no real testemunhado por ela. Nas pesquisas que coordenou existe uma clara integração de objetivos científicos a um compromisso com a realidade social e educacional da AméricaLatina. Analisando essa realidade educacional, a Autora
demonstra que o fracasso nas séries iniciais da vida escolar atinge de modo perverso apenas os setores marginalizados da população. Dificilmente a retenção ou deserção escolar faz parte da expectativa de uma criança de classe média que ingressa na escola. Para outros segmentos sociais marginalizados, no entanto, os índices de fracasso chegam aníveis alarmantes, constituindo-se num verdadeiro problema social. Se fosse a única, essa já seria justificativa suficiente para dar relevância a novas investigações que ajudassem a descrever e explicar os processos pelos quais as crianças chegam a aprender a ler e escrever. No entanto, não é a única.
Também do ponto de vista teórico, as pesquisas de Ferreiro & Teberosky trazem uma contribuiçãooriginal. Tomam como objeto de estudo um conteúdo ao qual Piaget não se dedicava - resgatam os pressupostos epistemológicos centrais de sua teoria, para aplicá-Ios à análise doaprendizado da língua escrita.
Na contramão de outros estudos teóricos, o objetivo de suas investigações não é a prescrição de novos métodos para o ensino da leitura e da escrita.
Muito menos a proposta de novas formasde classificar dificuldades do aprendizado. Ao estudar a gênese psicológica da compreensão da língua escrita na criança, Ferreiro desvenda a "caixa-preta" desta aprendizagem, demonstrando como são os processos existentes nos sujeitos desta aquisição.Isso porque, até que uma proposta empírica desta natureza fosse feita, o tema da aprendizagem da escrita era considerado apenas uma técnica dependentedos métodos de ensino.
Coerente com a sua filiação epistemológica, Ferreiro demonstra que a abordagem da alfabetização como questão meramente meto do lógica fora sustentada por teorias psicológicas vinculadas ao associacionismo ou empirismo. Ou seja, avaliar que a melhor ou pior aprendizagem da língua escrita estaria em correspondência com melhores ou piores métodos de ensino implica...
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