Arquitetura historicista

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Composição elementar e tipologia para fins de análise de edifícios historicistas (sugestão dos passos e de categorias)
Independente do edifício (historicista) objeto de análise, este se situa no quadro da arquitetura de composição1, que compreende a arquitetura como um fenômeno de ordem e de relação. Adverte-se, enfaticamente, que estes edifícios são construídos num período histórico em que háuma nova atitude frente à história menos reverente e mais crítica do que a que ocorria até o Século XVIII. No Século XIX e XX, tem-se a consciência de que as idéias não são intemporais, elas mudam. Para o Ecletismo pensar por imagens é tão legitimo quanto pensar a estrutura. Nesse momento histórico, estilo significa diferentes atitudes frente ao passado, tal é a postura Eclética. No Ecletismo, oarquiteto conta com sistemas de regras, preceitos de composição, de decoro2 e de ornamentação3, que dispõe dos mais variados elementos, advindos de diversos períodos históricos e regiões geográficas diz Luciano Patteta. A prática de projetar por meio da opção estilística, que se configura nesta conjuntura, resulta de um ato de escolha do projetista (um ato crítico, subjetivo), “cujo ponto dechegada é o conceito” (ARGAN, 1992). A escolha envolve uma postura moral, que permite aos projetistas liberdade de interpretação e de caracterização4. O Ecletismo tem premissas em alguns tratadistas do século XVIII, como Milizia que pregava a variação dos prazeres, a variedade, as belezas particulares, “uma certa idéia de irregularidade e de caos”. Para o enciclopedista Diderot (Século XVIII): ecléticoé aquele que passa por cima da tradição, da autoridade, da opinião, com todos os prejuízos e se atreve a pensar por si

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Arquitetura de modo semelhante à música se compõe de elementos, Julien Guadet. In ARNAU, Joaquín. 72 Voces para um Diccionario de Arquitectura Teórica. Madrid: Celeste, 2000. 2 Decoro advém da relação comunicacional decorrente da vida em grupo dos homens. Comunicação é maisdo que viver junto é entender-se. O entendimento sucede de compartilhar linguagens e o jogo de símbolos. Em sua raiz o decoro é a qualidade de conduta dos homens que se traduz em hábitos de conduta e de indumentária, assim como em modos de habitar. A arquitetura ilustra este decoro pessoal. In Arnau. Op. Cit. 3 O ornamento não é próprio da arquitetura, mas do homem e do entorno individual esocial. ´O ornamento é próprio das artes de imitação e das artes decorativas. Alberti no De Re Aedificatoria diz que o ornamento qualifica a arquitetura porque identifica suas peculiaridades de propriedade, uso e função. Alberti distingue os ornamentos sagrados dos profanos, os públicos dos privados. A arquitetura funerária é a que ele permite maior frivolidade e licença poética em relação aosornamentos. No século XIX, John Ruskin diz arquitetura é construção mais ornamento, sob este indicador se inscreve o Historicismo do Século XIX e a proliferação de catálogos para cópia. No Século XX, Adolf Loss e muitos outros arquitetos modernos proclamam que ornamento é crime. In Arnau. Op. Cit. 4 “Introduzir caráter em uma obra é empregar com equidade todos os meios próprios para fazer-nos experimentarsensações além daquelas que devem resultar do tema”. (Boullé). A linguagem é o mesmo que caráter, assim o significado deve aparecer na forma. Boullé (séc. XVIII), denomina de caráter “o efeito que resulta deste objeto e que o que causa em nós uma determinada impressão”. BOULLÉ, E. L. Ensaio sobre a Arte.

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mesmo. A defesa do Ecletismo se encontra no seio da própria da Academia de BelasArtes, que recupera outros estilos, pois, o clássico era considerado unilateral. Também a Escola de Paisagismo Inglesa que reunia o universo inteiro de referencias possuía esta atitude eclética. Neste processo, a perda dos significados dos estilos históricos antigos foi profunda. Contudo, neste processo de determinação da forma, de expressão ou de significação, ou ainda, de transmissão de uma...
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