Apontamentos historia portugal medieval - sociedade feudal

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A Sociedade Feudal e Senhorial pp.141-168
A densidade demográfica e a fertilidade do solo permitiram desde cedo a criação de excedentes de produção e a sua apropriação por uma minoria e, consequentemente, uma hierarquização social.
Dona de uma apertada rede de comunicações mas delimitada a leste por montanhas, a região do Entre Douro e Minho, leva a que os camponeses e senhores da região possamdesenvolver uma certa autonomia nas relações sociais que os uniam entre si, sem grandes interferências de poderes externos, sendo que os maiores contactos seriam estabelecidos com os senhores galegos.
As diferenças de fortunas e de hierarquia facilitam as solidariedades e os compromissos pessoais, os serviços vassálicos e as protecções senhoriais, a constituição de séquitos formados por parentespobres, mas também a emigração, para longe, daqueles que não se querem sujeitar a uma dependência doméstica sem futuro nem glória, ou, entre os camponeses, os que a terra exígua já não consegue sustentar.
Nesta região os pólos de dominação não se situam unicamente nos solares e castelos, mas também nas cidades e povoações mais importantes. Nestas povoações dominam os bispos com o seu cabido e osmercadores. Estes pertencem àquele pequeno grupo de homens que não se integram nas estruturas feudais, mas o seu domínio sobre a circulação de bens e os instrumentos de troca torna a sua existência necessária. Mais adaptadas às estruturas feudais encontram-se os mosteiros, detentores de poder regional, formando uma componente das mais importantes na sociedade da época uma vez que a natureza doseu poder se baseia na sua função religiosa e simbólica.
Os castelos situam-se nos montes e colinas que dominam os vales e os caminhos, os seus detentores aproveitam muitas vezes ruínas dos antigos castros da Idade do Ferro para construírem os seus lugares-fortes, vigiarem as estradas e defenderem-se dos inimigos. Até meados do século XIII muitos ainda permanecem como centros administrativos oumilitares das circunscrições medievais, os senhores no entanto, não os habitam permanentemente, em muitos casos, fixam-se e tomam o nome de “honras” localizadas em lugares mais amenos e acessíveis. A partir da segunda metade do século XIII os castelos isolados parecem ter sido completamente abandonados, sendo o domínio de cada circunscrição territorial feito a partir dos centros urbanos.
Nas regiõesmais densamente povoadas encontra-se uma enorme quantidade de nobres, mas frequentemente de nível médio ou inferior. Na periferia, os senhores são mais poderosos. O seu poder parece, portanto não se basear tanto na posse de terras de cultivo, mas no domínio público sobre territórios vastos, sustentado por forças militares, de exigir prestações pela administração da justiça e pela protecçãomilitar. Uma outra característica desta área parece ser a presença de um considerável número de comerciantes, burgueses e intermediários, que através das trocas, pode investir os seus lucros na terra e que com a sua independência das estruturas feudais, contaminam as relações de dominação dos camponeses pelos
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Apesar desta enorme existência de senhores, algumas comunidades rurais conseguiram verreconhecido, no século XIII, o privilégio de escolherem elas próprias os seus protectores, formando beatrias. Fora desta área, em Trás-os-Montes, encontram-se comunidades rurais que mantiveram a sua organização comunitária até ao fim do século XII, mas que acabaram por ter de se submeter à vaga invasora de nobres, que então se apropriaram dos seus direitos senhoriais.
Grandes extensões de terra foramentão entregues às ordens militares no sul do país e aos Cistercenses de Alcobaça, o que permitiu a criação de grandes senhorios sobre terras até então mal cultivadas e que se tornaram intensamente produtivas.
Também o rei se irá adaptar ao regime senhorial, estende as obrigações senhoriais aos herdadores que ainda viviam à margem dos senhorios, exige deles prestações de origem pública como se...
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