Amor

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  • Publicado : 26 de setembro de 2012
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I
Era uma tarde de sol quando dei o ultimo adeus, uma triste quinta feira. Não sabia ao certo como eu havia chegado ali, naquele cemitério tão vazio, eu estava sendo guiada por alguma amiga. Eu estava dopada, sob o efeito do remédio. A ficha ainda não havia caído, em alguns instantes o meu marido ia ser enterrado, ele estava morto, havia se suicidado. Olhei ao meu redor e podia contar nos dedosas pessoas que ali estavam. Isso me instigou muitas dúvidas, onde estavam os amigos de Sebastião? Durante o enterro não dei nenhuma palavra, não exaltei nenhum choro alto, nem ao menos fiz escândalo quando vi o caixão sendo coberto pela areia. Não recordo como cheguei em casa.
II
Lembro-me da ultima noite que passamos juntos, foi na segunda feira, seu dia sagrado de folga. Sebastião nunca mefalara detalhes sobre seu trabalho. Eu não podia reclamar, ele ganhava bem. Era nas segundas feiras em que nós poderíamos nos amar, mas isso não acontecia. Ele já não me tocava mais, já não compartilhávamos intimidades. Tamanha as vezes eu me insinuava para ele, todas eu fracassava. Eu achava que o problema era comigo, então eu procurava ao máximo esta sempre bonita, cheirosa, limpa, porém todo esseesforço nunca foi reconhecido, ele já não me elogiava mais. No fim da noite, quando íamos dormir, ele se virava de lado e adormecia. Era assim todas as segundas feiras.
III
Eu estranhei acordar e não sentir o cheiro de café, pude então perceber que nunca mais sentiria esse cheiro. Já havia me acostumado, em acordar e ver a mesa pronta para café, todos os dias quem o preparava era o meu marido,sempre descalço, o tênis ficava jogado na sala. Naquela sexta feira foi diferente, quando cheguei na cozinha não havia Sebastião, não havia café, não havia tênis, havia apenas a solidão. Ele foi enterrado no dia anterior e eu ainda não havia me acostumado. Pude chorar desta vez, gritei, me apavorei, me indagava o por que disso tudo. Qual motivo levaria o meu marido a se suicidar? Resolvi ir atrásde respostas.
IV
De terça a domingo Sebastião ia trabalhar. Tudo começava na terça feira. Sempre era eu que amarrava o cadarço de seu tênis, ele nunca aprendera ao certo. Ele saia de casa às 19hs e só retornava às 7hs da manhã. Depois de ter preparado o café ele ia direto para banho, em seguida ia dormir. E só acordava no fim da tarde. Minha rotina era quase sempre igual, limpar a casa, ir aomercado, preparar o almoço, assistir televisão. Sempre senti falta de uma criança na casa, eu já era casada a 3 anos e nunca havia conseguido engravidar. Ainda pensei em procurar uma ajuda médica, mas sempre eu desistia em seguida. Era essa a minha rotina.
V
Sai de casa disposta a encontrar respostas pra morte do meu marido. O primeiro lugar que me passou pela cabeça foi o seu local de trabalho.Resolvi ir lá. Era uma empresa especializada em cobrança de cartão de crédito. Conversei com a recepcionista, expliquei o motivo da minha presença, informei a ela sobre a morte do meu marido. Intrigada sobre isso a recepcionista me falou que naquela empresa não trabalhava nenhum Sebastião, que no turno da noite a empresa não funciona. Fiquei sem entender nada. Como assim meu marido nunca trabalhouali, só podia ser um equivoco muito grande. Fui levada na R.H da empresa, a gerente do setor conversou comigo e me certificou que nenhum Sebastião havia trabalhado ali nos últimos 12 meses. Relutei para acreditar nisso. Onde então meu marido trabalhou durante todo esse tempo, de onde ele tirava todo aquele dinheiro? Fui para casa imaginando diversas respostas de tantas perguntas.
VI
Acordei comode costume 7hs em ponto, o cheiro de café estava inebriando toda a casa. Nesse dia pude fazer a primeira refeição do dia junto do meu marido. Ele estava diferente, mais delicado, mais gentil, me beijou a boca de um jeito mais doce, sussurrou em meu ouvido um “eu te amo”, fiquei toda arrepiada, há tempos ele não fazia isso. Tomamos banhos juntos, fizemos amor debaixo do chuveiro. Lágrimas...
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