Aleijadinho

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  • Publicado : 21 de junho de 2013
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Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa) e a importância do Barroco no Brasil
"Vila Rica não é Florença, pedra-sabão não é mármore e Aleijadinho não foi Michelangelo. Ainda assim, o esplendor e o requinte, as sutilezas e a suntuosidade das dezenas de estátuas, pias batismais, púlpitos, brasões, por­tais, fontes e crucifixos permitem supor que o Brasil teve um gênio renascentista desgarrado emplena efervescência de Minas colonial, esculpindo e talhando com o espírito, o fulgor e a grandiosidade dos artistas iluminados."
 
O legado do Aleijadinho - eternizado no interior e nas fachadas de meia dúzia de igrejas de Minas Gerais - refulge mais que os minérios que saíram dali para fazer o fausto de nações além-mar. Na prática, foram elas - estátuas, lavabos e esculturas - a herança querestou para recordar o Brasil de seus tempos áureos. A obra monumental do Aleijadinho é um patrimônio superior a qualquer conforto que o ouro possa comprar.
Embora tenha sido um dos maiores artistas do Brasil, da vida do Aleijadinho restam apenas fragmentos biográficos dispersos, a maioria deles envolta na sombra mitificadora das lendas baratas. Sabe-se que se chamava Antônio Francisco Lisboa e erafilho bastardo do "juiz do ofício de carpinteiro" Manuel Francisco Lisboa com a escrava de nome Isabel (embora documento algum o comprove). Quando nasceu? Em 1738, talvez, embora a "data oficial" seja 29 de agosto de 1730. Quem foram seus mestres? O pai e o tio, Antônio Francisco Pombal, embora alguns prefiram filiá-lo à es­cola do desenhista João Gomes Batista e à do entalhador José Coelho deNoronha, portugueses com "oficinas" em Vila Rica. Quais suas fontes de inspiração? Os livros da biblioteca do poeta Cláudio Manuel da Costa e "gravuras bíblicas góticas e bizantinas" da "Bíblia Pauperum".
As dúvidas são muitas porque quase tudo que se sabe sobre Aleijadinho provém dos "Traços Biográficos Relativos ao Finado Antônio Francisco Lisboa", publicados por Rodrigo Bretas em 1858. Embora ostenha escrito apenas 44 anos depois da morte do artista, os esboços de Bretas estão repletos de impropriedades. Apesar de a bibliografia referente ao Aleijadinho superar, atualmente, mil títulos (entre livros e artigos), o estofo da lenda nasceu dos mitos forjados por Bretas. De qualquer forma, parece certo que, antes da misteriosa doença que o acometeu, em 1777, Antônio Francisco, além de artistamaduro - cujo primeiro projeto fora a igreja da Ordem Terceira de São Francisco -, era também "grandemente dado aos vinhos, às mulheres e aos folguedos". Seu biógrafo sugere que a enfermidade surgiu dos "excessos venéreos".
Em fins de 77, o escultor já perdera os dedos dos pés, "do que resultou não poder andar senão de joelhos", e os dedos das mãos se atrofiaram de tal forma que o artista teriadecidido "cortá-los, ser­vindo-se do formão com que trabalhava". Não foi só: "perdeu quase todos os dentes e a boca entortou-se como sucede ao estuporado; o queixo e o lábio inferior abateram-se e o olhar do infeliz adquiriu a expressão sinistra de ferocidade (...) que o deixou de um aspecto asqueroso e medonho".
O Aleijadinho passou a evitar o contato público: ia para o trabalho de madrugada e sóvol­tava para casa com a noite alta. "Ia sempre a cavalo, embuçado em ampla capa, chapéu desabatado, fugindo a encontros e saudações", escreveu Manuel Bandeira. "No próprio sítio da obra, ficava a coberto de uma espécie de tenda, e não gostava de mirones."
Passados mais de 150 anos da morte do Aleijadinho, pesquisadores ainda discutem qual a doença que acabou com a saúde e o humor do maior dosescultores brasileiros. Nenhum, porém, teve iniciativa, disposição ou verba para empreender uma investigação que incluísse a única possibilidade definitiva: a exumação do cadáver do Aleijadinho. Por enquanto, existem apenas hipóteses sobre a terrível enfermidade deformante que, a partir de 1777, foi carcomendo pés e mãos do gênio do barroco brasileiro. Em 1929, o médico Renê Laclette optou por...
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