Agostinho Neto

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INTRODUÇÃO
Aquele que viria a ser o fundador da nação Angolana abriu os olhos ao mundo na aldeia de Kaxicane, banhada pelas águas caudalosas do rio Cuanza, na região de Catete, a 60 km de Luanda. Corria o ano de 1922. Como era hábito na altura, o parto decorreu em família, na casa modesta do pastor metodista Agostinho Pedro Neto e de sua mulher, a professora primária Maria da Silva Neto. Omenino viria a chamar-se António Agostinho Neto, nome que não tardaria a andar nas bocas do mundo.

















VIDA E OBRAS DE AGOSTINHO NETO
António Agostinho Neto (Catete, Ícolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922 — Moscovo, 10 de Setembro de 1979) foi um médico angolano, formado nas Universidades de Coimbra e de Lisboa, que em 1975 se tornou o primeiro presidente de Angola até1979 como membro do Movimento Popular de Libertação de Angola. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o "Prémio Lenine da Paz".
Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa. Foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a polícia política do regimeSalazarista então vigente em Portugal, e deportado para o Tarrafal, uma prisão política em Cabo Verde; sendo-lhe depois fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962. Em paralelo, desenvolveu uma actividade literária, escrevendo nomeadamente poemas.
Os primeiros temposda sua formação foram bastantes irregulares, pois a inegável capacidade que demonstrou para os estudos não foi devidamente estimulada pelos pais. Feita a instrução primária, acabou por se arrastar no liceu durante dez anos para um curso de sete, não obstante figurar no Quadro de Honra. Tudo porque os pais capricharam em que acompanhasse a par e passo o irmão mais velho, Pedro, o qual se atrasaranos estudos e não tinha idêntico aproveitamento. Deste modo, se o Pedro reprovava num ano, Agostinho Neto suspendia a preparação e esperava por ele. Assim se explica que, tendo-se matriculado no Liceu Nacional Salvador Correia (hoje Mutu-ya-Kevela) em 14 de Fevereiro de 1934, só concluísse o 7º ano em Janeiro de 1944. (...)
Conta Arménio Ferreira, a fim de demonstrar a inteligência precoce de Neto,que no Salvador Correia, então predominantemente frequentado por brancos, determinado professor "resolveu fazer testes de inteligência entre os estudantes. E, como Neto "solucionava rapidamente os testes apresentados", o professor deixou de lhos dar, entregando-os só aos outros alunos e "dizendo-lhes que, se não os resolvessem depressa, os daria ao "preto", que num minuto os resolveria". (...)Mercê de tais antecedentes, seria de esperar que, terminado o liceu, além do mais com alta classificação, Agostinho Neto tivesse de acesso imediato a estudos superiores. Mas não havia universidade em Angola e a sua frequência na Metrópole (como então se aludia a Portugal) era onerosa demais para os modestos recursos familiares. E a única possibilidade de tornear tal obstáculo acabaria por ser-lhevedada.
Na altura, o Governo colonial dispunha de uma bolsa de estudo anualmente atribuída ao estudante finalista do liceu com melhor classificação. António Agostinho Neto era um forte candidato, mas com ele rivalizava outro estudante oriundo de Cabinda, de seu nome Segundo recorda Adriano Sebastião, gerou-se polémica entre facções apoiantes dos dois Antónios, tendo a balança pendido para Pinheiroda Silva. Este tinha a vantagem de ser mestiço e católico, enquanto Agostinho Neto era negro e protestante. Ou seja: a religião e a raça tiveram razões que a razão desconhece.
Não deixa de ser curioso observar que a evolução futura dos finalistas rivais viria a acentuar as suas diferenças, pois enquanto Agostinho Neto se tornou o líder revolucionário, Pinheiro da Silva foi sempre um apaniguado...
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