Abacax

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iDá para se livrar desse abacaxi?  |  - 28.01.2004
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Comprar e tomar conta de computadores não traz vantagem nenhuma a seu negócio. Usá-los bem, sim. É por isso que cada vez mais empresas estão partindo para a terceirização - Por Sérgio Teixeira Jr. - EXAME
Antes de ocupar a cadeira de diretor de tecnologia da Sadia, Flávio Schmidt já tinha sidoauditor, diretor financeiro, vice-presidente de planejamento e diretor de administração corporativa. Em outras palavras: antes de entender a diferença entre ERP, CRM e SLA, Schmidt sabia que tecnologia boa é tecnologia que funciona -- e esse não era o caso da Sadia. Os micros estavam obsoletos. Sistemas vitais, incluindo o software de gestão, tinham sido desenvolvidos internamente e exigiamesforço constante para manutenção e atualizações. Ou seja, os computadores estavam atrapalhando ao invés de ajudar. Depois de fazer e refazer as contas e antever a dor de cabeça de uma reestruturação completa, ele chegou à conclusão que a solução seria uma só: livrar-se do departamento de tecnologia. Há dois anos, Schmidt entregou tudo, da infra-estrutura à mão-de-obra, a prestadores de serviço.
ASadia não foi a única empresa a concluir que pode valer a pena deixar o abacaxi do gerenciamento dos computadores nas mãos de quem entende do assunto. Ao contrário. A americana Procter & Gamble assinou um contrato de 3 bilhões de dólares para que a HP administre seu parque tecnológico em todo o mundo, do PC na mesa das secretárias aos mainframes que contêm as informações vitais da companhia. AVisa, em sociedade com o Bradesco, criou há um ano e meio uma empresa para lidar com vales eletrônicos de alimentação e refeição, a Visa Vale. O modelo de negócios é todo baseado no uso de cartões inteligentes em vez dos antigos tíquetes de papel -- e a Visa Vale não tem nem sequer um departamento de tecnologia. A infra-estrutura e os serviços são contratados de dez fornecedores externos. Até mesmoos bancos, cujo negócio depende essencialmente de um vaivém ininterrupto de informações, já flertam com a idéia de que é possível deixar as máquinas nas mãos de um terceiro -- ou pelo menos de alguns poucos fornecedores. O Banco da Irlanda assinou, no fim de 2003, um contrato de 600 milhões de dólares para tirar de casa a administração de seu parque tecnológico.
Bem-vindo ao mundo daterceirização de tecnologia -- ampla, geral e irrestrita. Não se trata mais apenas do tradicional movimento de deixar o processamento das folhas de pagamento ou a rede de micros a cargo de empresas especializadas. Trata-se de uma força muito mais radical. Nas palavras de Peter Drucker, o guru dos gurus, em recente entrevista à revista Fortune: "A maioria das pessoas vê a terceirização do ponto de vista docorte de custos, o que julgo ser um engano. O que a terceirização faz é melhorar a qualidade das pessoas que ainda trabalham para você. Acredito que as empresas deveriam terceirizar todas as atividades para as quais não haja um percurso de carreira que conduza os funcionários à alta gestão". É justamente esse o caso da tecnologia da informação na maioria das empresas.
As evidências estão ao alcancede todos. De acordo com o International Data Corporation (IDC), terceirização é a palavra do momento em tecnologia corporativa, no Brasil e no mundo. Enquanto a indústria se manteve estagnada em 2003, a área de serviços terceirizados seguiu crescendo: 11% em relação a 2002, com movimentação de 3,4 bilhões de reais. Um dos grandes motivadores desse salto foi a redução de custos, o primeiroresultado de qualquer projeto de terceirização, como se verá a seguir. Mas, por trás dessa necessidade urgente, há dois grandes movimentos em curso que prometem mudar a maneira como as empresas encaram a tecnologia -- e seus próprios negócios.
O primeiro deles diz respeito à tecnologia em si. Há mais de cinco anos, os gurus vêm dizendo: na era da internet, o espaço físico deixa de ter importância....
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