O que pensam professoras de educação infantil sobre a feminização da profissão docente?

Páginas: 25 (6152 palavras) Publicado: 19 de novembro de 2012
O QUE PENSAM PROFESSORAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL SOBRE A
FEMINIZAÇÃO DA PROFISSÃO DOCENTE?
ZIBETTI, Marli Lúcia Tonatto – GEPPEA / UNIR – marlizibetti@yahoo.com.br
GT: Gênero, Sexualidade e Educação / n.23
Agência Financiadora: CNPq
Introdução
Este trabalho discute alguns aspectos de uma pesquisa em andamento que tem
por objetivo investigar as implicações da condição feminina para oexercício da
docência em três redes municipais de ensino no estado de Rondônia. Ao analisar as
condições de trabalho das professoras que atuam nas redes municipais, a pesquisa
pretende conhecer como estas profissionais, trabalhando em condições precárias, em
escolas de difícil acesso, com jornadas de trabalho exaustivas, em sua maioria cursando
ensino superior, conciliam as diferentes demandas dotrabalho profissional, doméstico e
atribuições familiares.
Neste texto, apresentamos e discutimos as concepções das professoras
participantes da pesquisa sobre a predominância de mulheres no magistério. As opiniões
das professoras entrevistadas nos permitem problematizar as concepções destas
profissionais sobre a feminização da carreira docente em educação infantil,
evidenciando como odiscurso de que as mulheres possuem habilidades inerentes ao
trabalho com crianças pequenas, está presente entre as próprias educadoras, embora não
seja um discurso hegemônico, pois algumas delas questionam a discriminação e os
estereótipos que desvalorizam o trabalho em creches e pré-escolas.
É importante considerar que, mesmo as pesquisas sobre o magistério, ao tentar
explicar a feminização daprofissão, defendem perspectivas diferentes. Algumas
apresentam as mulheres-professoras como personagens que se fixaram na condição
“natural” de esposa e mãe e, portanto, fazendo opção pelo magistério como a
oportunidade de conciliar estes papéis. Outras, entretanto, questionam essa
“passividade” das mulheres-professoras, por entender que o magistério configurou-se
como uma possibilidade detrabalho, por meio da qual elas tiveram a oportunidade de
sair do âmbito doméstico.
O texto principia com uma breve análise de diferentes perspectivas sobre a
feminização da docência para, em seguida, descrever os procedimentos metodológicos
utilizados para a obtenção e análise dos dados e, por fim, apresentar os resultados e as
discussões a partir da contribuição de estudiosos/as dastemáticas gênero e educação.
2
Perspectivas teóricas sobre a feminização da carreira docente
Autores/as como Novaes (1984), Apple (1995) e Arce (1997) ao tentar
responder por que o magistério tornou-se campo de trabalho feminino, explicam que
esta profissão foi uma das primeiras que se abriu para as mulheres sob a aprovação da
sociedade. Entretanto, para os/as autores/as as mulheres foram impelidaspara este
trabalho sob a associação da tarefa educativa com a materna. Novaes (1984, p. 96)
assim explica a feminização da profissão:
Não é só pelo problema financeiro, da baixa remuneração que os homens não
buscam o Magistério. Vejo mais como um preconceito, um estereótipo social.
Existem homens trabalhando no setor de serviços, às vezes portadores de
escolaridade de segundo grau,trabalhando no comércio ou em escritórios
que, considerando a sua jornada de trabalho, têm salário inferior ao das
professoras. Não é que eu considere o salário das professoras alto, não há
como pensar assim. O problema é que parece, os homens não buscam o
magistério porque tradicionalmente, essa é uma profissão vista como
feminina, “Lidar com criança é serviço de mulher”, em casa e na escola. Éassim que pensam, na nossa sociedade, não só os homens, mas, o que é pior,
as próprias mulheres.
Apple (1995), por sua vez, afirma que os componentes de cuidar e servir
embutidos no magistério das séries iniciais operaram como fatores de segregação
sexual, uma vez que cuidar de crianças e servir sempre foram consideradas ocupações
de baixa qualificação. Estas concepções contribuíram para o...
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