O psicopata e a perversão do prazer

Páginas: 5 (1166 palavras) Publicado: 29 de setembro de 2012
O PSICOPATA E A PERVERSÃO DO PRAZER

Pricila Vieira - 8º período do Curso de Letras - PUC-GO.


A leitura de The Tell-Tale Heart, obra de Edgar Allan Poe, sobre a loucura, nos remete à entrevista do psicólogo canadense Robert Hare para a revista Veja de 01 de abril de 2009. Na entrevista o psicólogo afirma que,superficialmente, um psicopata pode parecer um sujeito normal, mas, ao conhecê-lo melhor, as pessoas notarão que é um indivíduo problemático. Diz ele: “Os psicopatas apresentam comportamentos que podem ser classificados de perversos, mas que, na maioria dos casos, tem por finalidade apenas tornar as coisas mais fáceis para eles.” (2009, pág. 20). A princípio, este enunciado acima se enquadra noperfil do assassino de Edgar Allan Poe, pois ao longo do conto, ele manifesta sintomas de psicopatia e de loucura. Ele demonstra sua perversidade através da frieza com que executa o ato. E neste caso, a frieza foi uma atitude que facilitou a ação do assassino.
Um indivíduo considerado psicopata foge dos padrões de comportamento da sociedade em que vive e não consegue ver nada de errado em seupróprio comportamento, de acordo com Hare. É o que acontece com o narrador do conto no primeiro parágrafo, quando tenta convencer o leitor de que está sendo mal interpretado e alega que a enfermidade lhe aguçara os sentidos, principalmente a audição, fazendo-o escutar coisas da terra, do céu e do inferno.
Temos a sensação, em determinado momento, que o autor está narrando os fatospertinentes a um mundo real. Um mundo que existe. O mundo dos loucos, no qual os “lúcidos” não podem penetrar.
Há ainda outro parâmetro a ser averiguado, em função deste tema de Poe. Erasmo de Roterdã em seu livro O Elogio da Loucura, menos denso, no trato da loucura adjetiva-a de o eu-lírico. É este eu-lírico que serve para justificar os devaneios “contemplativos” de um mundo muito pessoal, habitatda loucura. A loucura afirma obedecer ao provérbio: “Se não tens quem te elogia, é bom que te elogies a ti próprio” (1982, pág. 15).
Em The Tell-Tale Heart, pode-se notar este “elogio” quando o narrador diz: “Como, então, sou louco? Prestai atenção! E observai quão lucidamente, quão calmamente posso contar toda a história” (1975, pág. 303). O assassino, narrando sua saga, demonstra cautelae prudência em suas ações. Ele calcula e prevê cada detalhe com precisão ainda que afirme que “os loucos nada sabem” (pág.303), por isso ele não poderia ser considerado insano. Mas o motivo que o levou a matar o velho homem foi “um de seus olhos que parecia com o olho de um abutre” (pág.303), e que era de cor azul pálido, pois sofria de catarata. Ele fica obcecado com isso e decide se livrar dovelho.
Esse comportamento é típico de uma pessoa monomaníaca. Quando ele fixou a idéia de se libertar do olho não hesitou em executar seu plano contra um alvo maior e mais significativo que é a pessoa. Se monomania é um tipo de paranóia, um indivíduo que sofre desse mal não está dentro da “normalidade” imposta pela sociedade, haja vista decidir arbitrar sobre o que não é da sua competência ounão se enquadra à sua monovisão, das pessoas e coisas. Uma pessoa é um ser enquanto o olho é uma coisa. Mas o nosso louco não sabe distinguir entre as pessoas e as coisas e, conseqüentemente, entre um mal menor e um mal maior. Assim resolve se livrar do sujeito, em vez de se livrar do objeto.
O assassino repete suas ações com muita habilidade por sete noites. Na oitava noite ele faz tudocom mais cautela ainda e percebe o quão sagaz ele é e quão grande é a extensão dos seus poderes. Ele é autoconfiante, mas uma série de fatores contribuiu para que o assassino perdesse seu foco: o velho homem percebeu uma presença no quarto; o assassino abriu um pouco a tampa da lanterna fazendo com que um pequeno raio de luz caísse diretamente sobre o olho do velho aumentando sua fúria e por fim,...
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