O Imperialismo

Páginas: 49 (12023 palavras) Publicado: 24 de março de 2015
O Imperialismo, Passado e
Presente *
Samir Amin **
R e s u m o
Este artigo oferece uma síntese da etapa atual do que o autor chama de terceiro
momento de surto imperialista, iniciado em meados do século XX mas que ganhou
características novas desde o fim da União Soviética e dos populismos nacionalistas
do Terceiro Mundo: o imperialismo coletivo da tríade Estados Unidos/Europa/Japão,
sobhegemonia estadunidense. O texto, bastante abrangente, insiste mais, em
seu panorama do mundo a partir de tal perspectiva, nas chances de mudanças no sistema
mundial que poderiam vir a emergir na Europa (na dependência, entre outros
fatores, do estabelecimento de um eixo político Paris-Berlim-Moscou, com possíveis
extensões asiáticas) e na China. O autor discorda das teorias que associam um
inelutáveldeclínio do Estado aos avanços na mundialização do capital.
Palavras-chave: imperialismo coletivo – capitalismo – globalização – novos monopólios
dos países centrais
* Artigo recebido em janeiro de 2005 e aprovado para publicação em março de 2005.
** Professor de economia em Paris VIII e em Dakar. Foi Diretor do Instituto Africano de
Desenvolvimento Econômico e de Planejamento da ONU, em Dacar eatualmente é diretor
do Fórum do Terceiro Mundo (Fórum du Tiers Monde) e Presidente do Fórum Mundial de
Alternativas.
Tempo, Rio de Janeiro, nº 18, pp. 77-123
78

O título escolhido para as páginas que seguem (o imperialismo – passado
e presente) refere-se diretamente à minha tese central, a saber, de que
a expansão global do capitalismo foi imperialista em todas as etapas de sua
história e assimpermanece por todo o futuro vislumbrável (enquanto o sistema
permanecer essencialmente fundado sobre a lógica do capitalismo). Esse
é um ponto de vista que raramente é partilhado pelos analistas do sistema
global (da “mundialização”). É, aliás, a razão pela qual as transformações do
sistema são geralmente lidas como a resultante exclusiva das relações entre
dominantes (as “grandes potências”), o queconforta o preconceito “ocidentalocêntrico”.
Ela produziu, entre outras, as culturas políticas da
submissão às exigências do capitalismo (o liberalismo estadunidense é a sua
melhor expressão) e aquelas de um novo questionamento das relações sociais
fundamentais próprias ao capitalismo, produzidas pelas três grandes
revoluções dos tempos modernos (a francesa, a russa e a chinesa).
Além disso, ocapitalismo encarado abstratamente como modo de produção
se baseia num mercado integrado em suas três dimensões (mercado
dos produtos do trabalho social, mercado de capitais, mercado de trabalho).
Mas o capitalismo considerado como sistema mundial realmente existente
se baseia na expansão mundial do mercado somente nas duas primeiras dimensões.
Assim, encontra-se excluída a constituição de umverdadeiro mercado
mundial de trabalho, em virtude da persistência das fronteiras políticas
de Estado, apesar da mundialização econômica, sempre mutilada. Por essa
razão, o capitalismo realmente existente é necessariamente polarizador em
escala mundial e o desenvolvimento desigual que ele institui torna-se uma
violenta contradição que cresce constantemente e não pode ser superada no
quadro da suaprópria lógica.
Os “centros” são produto da história. Esta permitiu, em determinadas
regiões do sistema capitalista, a constituição de uma hegemonia burguesa
nacional e de um Estado que também qualificaremos como capitalista nacional.
Burguesia e Estado burguês são aqui inseparáveis; e somente a ideologia
“liberal” pode, contra toda a realidade, falar de uma economia capitalista fazendo
abstração doEstado. O Estado burguês é nacional quando ele domina
o processo de acumulação, evidentemente nos limites das coações exteriores.
Nesse caso, essas coações são intensamente relativizadas pela sua própria
capacidade de reagir à sua ação, e até mesmo, de participar em sua elaboração.
Quanto às “periferias”, elas se definem simplesmente de forma negativa:
são as regiões que, no sistema capitalista...
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