O homem e ser sócio historico

Páginas: 6 (1341 palavras) Publicado: 28 de maio de 2012
A CORRENTE SÓCIO-HISTÓRICA DE PSICOLOGIA: fundamentos
epistemológicos e perspectivas educacionais
Angel Pino Si rgado'
Introdução
Expor em algumas páginas a contribuição da corrente sócio-histórica
de Psicologia é temeroso mas, ao mesmo t emp o, excitante. Temeroso, porque se trata de uma linha de pensamento complexa e ainda
insuficientemente conhecida entre nós, uma vez que sórecentemente
estamos tendo acesso às principais obras dos autores que integram
esta corrente psicológica. Excitante, porque esta linha de pensamento, se não constitui uma resposta acabada aos vários problemas teór icos colocados à Psicologia, pelo menos representa uma via de superação de certos impasses epistemológicos a que ela chegou.
A Psicologia padece desde as suas origens (que os autoressi tuam
na data da aparição das obras de W. Wundt, Grundzüge der Physiologischen Psychologie e de F. Brentano, Psychologie vom Empirischen
Standpunkt, em 1874) de uma espécie de falta de " ident idade epistemo l ó g i c a ", resultante da dificuldade que ela tem para identificar e
definir os contornos do seu própr io objeto de conhecimento. Isso não
a impediu, porém, de realizarnotáveis progressos, tanto no campo
teórico como, e sobretudo, no da sua aplicação em diversos setores
da atividade social. Mas, como diz L. Sève (1981), não sem uma certa
ironia, ela avança rapidamente no estudo do seu objeto sem saber
exatamente em que consiste este objeto. Talvez seja esta uma das
* Doutor em Psicologia e Professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educa-
ção daUNICAMP.
principais razões porque a Psicologia se apresenta ainda como um
mosaico de teorias, métodos e práticas heterogêneas, oferecendo
"o espectáculo de um universo fragmentado onde se justapõem, ignorando-se ou excluindo-se, as tendências metodológicas, as correntes teóricas, as orientações fundamentais e aplicadas" (Richelle,
1982). Na introdução aos Anais do simpósio ocorrido emLondres,
em 1980, reunindo representantes das diversas tendências em Psicologia em torno do tema Models of Man, A.J. Chapman (1980) observava que o principal elemento que continuava dividindo o campo
psicológico era a dupla visão menanicista/humanista. Tal clivagem
parece traduzir, no nível teórico como no prático, o velho problema
filosófico denominado pelos ingleses de the mind-body problem,problema insolúvel enquanto não for superada toda forma de dualismo, fonte de posições reducionistas. Entretanto, a fragmentação do
campo psicológico não se deve apenas a este problema e pode ser
que Piaget (1970, p. 81) tivesse razão quando afirmava que " um homem de ciência jamais é um puro cientista, mas ele é igualmente
alguém engajado numa determinada posição filosófica ou ideoló-gica". No fundo, o mind-body problem é um falso problema na medida em que o que define o ser humano não é nem da ordem do bioló-
gico nem da ordem do psíquico (entendido este como uma versão
do essencialismo aristotélico inerente ao conceito de psykè), mas
da ordem do simbólico. Outro problema, ligado a ele, é o da relação
indivlduo-sociedade entendida quase sempre em termos naturalistas,segundo o modelo biológico organismo-meio. Tratando-se do
h omem, falar de meio em termos só ecológicos é ignorar a história
humana. Assim como o ser humano está inserido na ordem do simbólico, o meio humano está inserido na ordem da cultura, expressão
deste simból ico. O problema indivíduo-sociedade é insolúvel enquanto os dois termos desta relação forem entendidos como sistemas autônomos,embora inter-relacionados como quer um certo interacionismo, definindo dois espaços, um privado e out ro públ ico, onde
os eventos individuais e os eventos sociais podem cruzar-se mas
Em A b e r t o, B r a s í l i a, a no 9, n. 4 8, o u t . / d e z. 1990 permanecendo essencialmente distintos. O processo da instituição
social do indivíduo, diz Castoriadis (1975, p. 405), é o...
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