O ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS

Páginas: 13 (3204 palavras) Publicado: 21 de outubro de 2014
O ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS – de código a discurso
Clarissa Menezes Jordão
(UFPR)
Toda prática está embasada em alguma teoria. Alguma concepção de mundo sempre
informa nossas atitudes e orienta nossas escolhas. Diante disso, é preciso estar, como os
escoteiros, sempre alertas para os pressupostos que fundamentam não apenas nossas ações,
mas também nossos pensamentos, nossos valores,nossos procedimentos interpretativos
diante das coisas do mundo.
Assim, ao ensinar línguas estrangeiras, os professores e seus alunos adentram as
salas de aula munidos de uma ou várias séries de pressupostos sobre o que seja uma língua,
sobre o processo de ensino/aprendizagem daquela língua, sobre seu capital cultural no
contexto social em que se insere. Tais pressupostos nem sempre encontramrespaldo nas
teorias desenvolvidas por lingüistas renomados, mas resultam do entrecruzamento ao
mesmo tempo particular e socialmente construído que cada indivíduo realiza entre as
diferentes comunidades discursivas de que faz parte. Esses entrecruzamentos, muitas vezes
culturalmente determinados, são determinantes de nossas atitudes para com práticas de sala
de aula e dependem tanto de nossaspreferências individuais quanto de nosso
condicionamento social, cultural, intelectual. Dependem de nossas filiações teóricas, de
nossas predileções interpretativas, de nossas visões de mundo particulares e daquelas que
partilhamos com nossas comunidades – comunidades às vezes constituídas por pessoas
fisicamente presentes em nosso entorno, outras vezes espacialmente distribuídas milhares
dequilômetros de distância uns dos outros, aproximadas pela Internet e pelas identidades
interpretativas de que partilham.
Desse modo, é importante que estejamos prontos para identificar e desafiar
constantemente nossos pressupostos e suas implicações: ao fazê-lo, podemos entender mais
facilmente de onde eles vêm, como se formam e quais as suas conseqüências em termos de
ações, escolhas,estabelecimento de valores e julgamentos. Podemos, através da construção
dessa consciência crítica, compreender melhor o que nos leva a agir como agimos, e
principalmente perceber as possibilidades que temos para mudar aquilo com o que não

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estamos satisfeitos, e entender por que não estamos satisfeitos e queremos mudar. Tais
entendimentos propiciam intervenções em nível epistemológico, ouseja, podem levar a
mudanças mais radicais do que a simples coibição ou o auto-policiamento. O tipo de
mudança conseqüente de um rearranjo epistemológico permite que atitudes interpretativas
sejam reavaliadas e portanto possibilita transformações profundas na maneira de conceber o
mundo e de perceber as relações entre os diferentes sistemas que o constituem, bem como
altera os modos de avaliarações, de interpretar comportamentos, de atribuir critérios de
valor e relevância à arte, à ciência, ao pensamento, às emoções.
Por isso proponho-me a investigar neste texto duas grandes linhas teóricas de
concepção de língua e suas implicações para contextos educacionais formais como a escola
e a sala de aula de línguas estrangeiras (LE).

A esperança é de que, através dessa

discussão,possamos reformular nossos conceitos e perceber como nossas concepções de
língua enquanto código ou enquanto discurso informam atitudes muito diferentes em
relação ao processo de ensino e aprendizagem.
1. Estruturalismo
Nesta tradição de pensamento, concebe-se a língua como um intermediário entre o
sujeito e o mundo; a língua daria acesso ao mundo, permitiria que agíssemos nele.
Conseqüentemente,a realidade aqui é concebida como algo externo ao sujeito,
independente dele. A língua representaria esse mundo para nós, ao mesmo tempo em que
nos permitiria acesso a ele.
Ela seria um sistema fechado, transparente e passível de estudo quando abstraída de
seu uso social e ideológico. Em outras palavras, seria factível separar a língua como sistema
(langue, como diria Saussure) da língua...
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