O ensino da gramática. opressão? liberdade?

Páginas: 6 (1279 palavras) Publicado: 20 de março de 2012
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
FACULDADE DE ESTUDOS DA LINGUAGEM – FAEL



O ENSINO DA GRAMÁTICA. OPRESSÃO? LIBERDADE?
Evanildo Bechara
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            A obra O ensino da gramática. Opressão? Liberdade? é geralmente designada por ser uma análise que evoca a crise da escola e o coloquialismo o qual caracteriza as formas de comunicação contemporânea. Apesar de essa definição permitir umaidéia geral da obra, procuraremos detalhar as questões relativas ao ensino da gramática, já que Bechara (2002), ao analisar como tem sido o estudo da língua materna ao longo dos anos, demonstra como o docente poderia nortear esse estudo de modo mais eficaz.
            As primeiras considerações realizadas pelo autor acima, referem-se ao fato de que desde os gregos, o ensino de língua materna esteveligado ao aprendizado da gramática escolástica. Assim, podemos estabelecer, a partir de tais considerações, um paralelo com o ensino de gramática da atualidade que ainda privilegia a gramática normativa, as regras, a norma culta.
            Ao se refletir sobre o ensino de gramática, o linguista italiano, Antonino Pagliaro apud Bechara (2002) afirma que a gramática deveria ser chamada deepistéme, ou seja, um conjunto de saberes nos quais estariam inseridos tanto conhecimentos teóricos como práticos. Entretanto, a escola, geralmente, prioriza um ensino de língua materna e estrangeira voltado para o aspecto formal, sem valorizar a expressão e a fala. Se fizermos um paralelo entre o que foi enfatizado nas escolas no que se refere à aprendizagem dos alunos, nota-se que se valorizaramcritérios que se assemelham aos defendidos pela teoria estruturalista e gerativista. Já as teorias funcionalistas e as da enunciação foram, muitas vezes, “esquecidas”.
            Conforme Bechara (2002), com o progresso da ciência, da linguagem, a gramática se enriqueceu com dados novos que contribuíram para que a sala de aula se tornasse “um palco de erudição” (BECHARA, 2002 p.34). Desse modo,enfatizou-se o falar e o escrever bem, seguindo as normas cultas. Assim, diante dessa preocupação formal, podemos dizer que “foram os mestres em busca do método e da ordem e trouxeram-nos indisciplina” (Said Ali apud Bechara, 2002 p.36). Percebemos, então, que não é o fato de se ensinar todas as regras aos alunos que garantirá que esses usem a língua de forma eficaz. Como citou Said Ali, o excesso demétodos pode causar um efeito contrário do desejado, a indisciplina. É possível que remetamos essa indisciplina a dois fatores, os quais são: mesmo tendo contato com uma grande quantidade de regras, muitos alunos não conseguem escrever de acordo com a norma culta, nem interpretar os textos que lêem. O segundo fator seria a indisciplina do falar, pois nem sempre reproduzimos “o falar” regido pelagramática. Além disso, Said Ali alude a outros pontos importantes, afirmando que o ensino precisa ser adequado àquilo que o aluno é capaz de apreender. Entendemos, portanto, que não é possível desejar que um aluno compreenda o que é uma oração subordinada substantiva subjetiva, por exemplo, se ele não sabe o que é sujeito. Said Ali argumenta que a pedagogia pode contribuir para que o professor saiba senortear ao escolher os conteúdos que devem ser ministrados em uma dada classe.
            Bechara (2002) também cita João Ribeiro o qual afirma que o ensino de português baseado em análises lógicas, ou seja, fonológicas, sintáticas e morfológicas, não é suficiente para aulas de língua materna. Assim, para este último, o grande problema dessas análises é que o discente, geralmente, consegueanalisar sentenças, mas não é capaz de ler nem de escrever. A partir das reflexões de João Ribeiro, podemos inferir a questão do letramento tão em voga na atualidade, pois quantos sabem ler, ou melhor, apenas decodificam as letras, mas não conseguem interpretar o texto, compreender a mensagem.
            Bechara (2002) menciona ainda que no Brasil as variedades diatópicas (regionais) não...
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