O desenvolvimento socieconómico durante a primeira república (1910-26) - josé manuel ferraz

Páginas: 28 (6866 palavras) Publicado: 6 de novembro de 2012
José Manuel Ferraz

O desenvolvimento socieconómico durante a Primeira República (1910-26)

INTRODUÇÃO O objectivo deste ensaio sobre o desenvolvimento económico-social durante a Primeira República Portuguesa (também chamada República Democrática), de 1910-26, é um aspecto da sociedade portuguesa de então, as mudanças observadas e como elas se realizaram. Os principais temas que pretendoestudar são: A situação demográfica. A emigração e as suas causas. As reformas «necessárias». A produção, sua evolução e problemas. As mudanças da superstrutura. Esperanças e resultados. O desenvolvimento do movimento dos trabalhadores. A questão colonial. O erro da democracia e as suas causas. Devido a escassez de dados, este ensaio é relativamente incompleto. Além de outros, senti a falta de númerossobre o nível produtivo e de indicação do papel que desempenharam as diferentes classes sociais no sistema económico. Em qualquer caso, todos os números apresentados foram tirados das fontes indicadas na bibliografia (à excepção das indicadas em notas). Apesar destas limitações, espero que este trabalho possa ser a base para um estudo continuado, sistemático e profundo, logo que obtenha melhoresdados e documentos. Escolhi os dados estatísticos que achei mais seguros e os que pudessem dar uma melhor imagem da situação. Fiz o possível por os comparar com documentos, notícias, programas políticos, discursos, bem como com o conhecimento que tenho da actual sociedade portuguesa. Agradeço ao Prof. Sven Nordengren, do Instituto de História Económica de Lund, o auxílio na rápida obtenção dosdados estatísticos portugueses do Arquivo Central de Estocolmo.

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1. Situação antes do 5 de Outubro de 1910 A revolução burguesa de 1824 não teve o mesmo significado em Portugal que em outros países europeus, nos quais foi o resultado de crescimento económico. Portugal era um país arruinado, basicamente dependente da Inglaterra e com uma indústria incipiente. No fim do século xix e nosprincípios do século xx aumentou a crise financeira na sequência do aumento de débitos externos. A incapacidade industrial não possibilitou progresso económico significante, ao mesmo tempo que uma concentração capitalista se verificou em Lisboa e no Porto. A criação do Banco de Lisboa, nos últimos anos do século, e mais algumas medidas proteccionistas em relação à indústria não foram significantes paramodificar o carácter rural da economia portuguesa. As casas feudais e as ordens religiosas foram um obstáculo, pois dominavam o sector agrícola e impediam a comercialização dos produtos agrícolas e a revolução técnica dos métodos de produção, assim como a introdução de nova maquinaria. Ao mesmo tempo, leis1como «Os Direitos Banais» (era proibida aos camponeses a construção de instrumentos fixospara a produção agrícola) e «Os Morgados» (a propriedade era transmitida ao filho mais velho sem divisões)* contribuíram para a perpetuação da economia rural. Os impostos aumentaram, o nível de vida diminuiu e o povo, especialmente as classes trabalhadoras em Lisboa e no Porto, viu a sua vida piorar. Apesar da perda do Brasil, que se tornou independente em 1822, Portugal continuou a exploraçãocolonial, começando agora nos territórios africanos. Foi no fim do século xix e no princípio do século xx que a exploração capitalista nas colónias de África começou. Em 1908 foi anunciada a constituição de 47 companhias com uma distribuição de capital entre Portugal, Inglaterra, França e Alemanha. Todas as crises devidas à má administração da Monarquia levaram ao crescimento do Partido Republicano,que era apoiado pela burguesia liberal. As classes mais ricas sonhavam com um poderoso país capitalista, tal como a Grã-Bretanha. O Partido Republicano aproveitava todos os factos negativos da administração monárquica para propagar a ideia de uma nova pátria. É através deste carácter populista que recebe o apoio de uma parte do povo. O Partido Republicano aproveitou o Ultimato para lançar uma...
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