E Book As 48 Leis Do Poder

Páginas: 199 (49581 palavras) Publicado: 7 de junho de 2015
AS 48 LEIS DO PODER

Joost Elffers e Robert Greene
Tradução de Talita M. Rodrigues
Editora Rocco - Rio de Janeiro - 2000 - 456 págs.

PREFÁCIO

A sensação de não ter nenhum poder sobre pessoas e acontecimentos é, em geral, insuportável
quando nos sentimos impotentes, ficamos infelizes. Ninguém quer menos poder; todos querem mais. No mundo
atual, entretanto, é perigoso parecer ter muita fome depoder, ser muito premeditado nos seus movimentos para
conquistar o poder. Temos de parecer justos e decentes. Por conseguinte precisamos ser sutis
agradáveis
porém astutos, democráticos mas não totalmente honestos.
Este jogo de constante duplicidade mais se assemelha à dinâmica de poder que existia no mundo
ardiloso da antiga corte aristocrática. Em toda a história, sempre houve uma corte formadaem torno de uma
pessoa no poder
rei, rainha, imperador, líder. Os cortesãos que compunham esta corte ficavam numa posição
muito delicada: tinham de servir aos seus senhores, mas, se a bajulação fosse muito óbvia, os outros cortesãos
notariam e agiriam contra eles. As tentativas de agradar ao senhor, portanto, tinham de ser sutis. E até mesmo
os cortesãos hábeis e capazes de tal sutileza aindatinham de se proteger de seus companheiros que a todo
momento tramavam tirá-los do caminho.Enquanto isso, supunha-se que a corte representasse o auge da
civilização e do refinamento. Desaprovavam-se as atitudes violentas ou declaradas de poder; os cortesãos
trabalhavam em silêncio e sigilosamente contra aquele entre eles que usasse a força. Este era o dilema do
cortesão: aparentando ser o própriomodelo de elegância, ele tinha ao mesmo tempo de ser o mais esperto e
frustrar os movimentos dos seus adversários da maneira mais sutil possível. Com o tempo, o cortesão bemsucedido aprendia a agir sempre de forma indireta; se apunhalava o adversário pelas costas, era com luva de
pelica na mão e, no rosto, o mais gentil dos sorrisos. Em vez de coagir ou trair explicitamente, o cortesão
perfeitoconseguia o que queria seduzindo, usando o charme, a fraude e as estratégias sutis, sempre planejando
várias ações com antecedência. A vida na corte era um jogo interminável que exigia vigilância constante e
pensamento tático. Era uma guerra civilizada.
Hoje enfrentamos um paradoxo peculiarmente semelhante ao do cortesão: tudo deve parecer civilizado,
decente, democrático e justo. Mas se obedecemos commuita rigidez a essas regras, se as tomamos de uma
forma por demais literal, somos esmagados pelos que estão ao nosso redor e que não são assim tão tolos. Como
escreveu o grande cortesão e diplomata renascentista, Nicolau Maquiavel, O homem que tenta ser bom o
tempo todo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons . A corte se imaginava o pináculo do
refinamento, mas sob asuperfície cintilante fervilhava um caldeirão de emoções escusas
ganância, inveja,
luxúria, ódio. Nosso mundo, hoje, igualmente se imagina o pináculo da justiça, mas as mesmas feias emoções
continuam fervendo dentro de nós, como sempre. O jogo é o mesmo. Por fora, você deve aparentar que é uma
pessoa de escrúpulos, mas, por dentro, a não ser que você seja um tolo, vai aprender logo a fazer o que
Napoleãoaconselhava: calçar a sua mão de ferro com uma luva de veludo. Se, como o cortesão de idos tempos,
você for capaz de dominar a arte da dissimulação, aprendendo a seduzir, encantar, enganar e sutilmente passar a
perna nos seus adversários, você alcançará os píncaros do poder. Vai conseguir dobrar as pessoas sem que elas
percebam o que você está fazendo. E se elas não percebem o que você estáfazendo, também não ficarão
ressentidas nem lhe oferecerão resistência. Para algumas pessoas, a idéia de participar conscientemente de
jogos de poder
não importa se de forma indireta ou não
parece maldade, pouco social, uma relíquia do
passado. Elas acreditam que podem optar por ficar fora do jogo, comportando-se como se não tivessem nada a
ver com o poder. É preciso cuidado com pessoas assim, pois...
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