C A P Í T U L O X V I “A Semente Que SemeaIs, Outro Colhe...”

Páginas: 30 (7439 palavras) Publicado: 15 de abril de 2014
C A P Í T U L O X V I
“A Semente Que SemeaIs, Outro Colhe...”
OUVI dizer num ônibus da Quinta Avenida: “Meu Deus!
Mais piquetes! Já estou cansada desses grevistas andando de um
lado para outro em frente de lojas e fábricas, com seus cartazes
de protesto. Por que o governe não mete todos eles na cadeia?”
A senhora indignada que fez essa observação não conhecia
bem a história. Pensava teruma solução fácil para um problema
simples. Mas estava totalmente errada. Sua solução fora tentada
repetidas vezes, sem que se resolvesse nada. Na Inglaterra há
mais de cem anos um magistrado comunicou ao Ministério do
interior seus planos para esmagar uma greve: “As medidas que
proposto são simplesmente prender esses homens e mandá-los
ao trabalho forçado.” 205
Exatamente o que sugeria asenhora — e, no entanto, essa
proposta foi feita em 1830. Com que resultados? Deixemos que
a senhora responda.
O magistrado do século XIX e a senhora do século XX parecem
não compreender que os trabalhadores não fazem piquetes
porque gostem de andar de um lado para outro carregando
cartazes, e não fazem greve porque não desejem trabalhar. As
causas são mais profundas. Para descobri-las,devemos voltar à
história inglesa, porque ali ocorreu primeiro a Revolução industrial.
205 J. L. e B. Hammond, The. Twon Labourer, 1760-1832. Longmans,
Green and Co., Londres, 1933.
190 HISTÓRIA DA RIQUEZA DO HOMEM
É fato bem conhecido que as estatísticas podem provar qualquer
coisa. Nunca nos proporcionaram um quadro mais falso
do que o relativo ao período de infância da Revolução Industrialna Inglaterra. Toda tabela de números mostrava progressos
tremendos. A produção de algodão, ferro, carvão, de qualquer
mercadoria, multiplicou-se por dez. O volume e o total de
vendas, os lucros dos proprietários — tudo isso subiu aos
céus. Lendo tais números ficamos surpreendidos. A Inglaterra,
ao que tudo indica, devia ter sido então o paraíso que os
autores de canções mencionam sempre.Foi, realmente —
para uns poucos.
Para muitos, podia ser qualquer coisa, menos um paraíso.
Em termos de felicidade e bem-estar dos trabalhadores, aquelas
estatísticas róseas diziam mentiras horríveis. Um autor mostrou
isso num livro publicado em 1836: “Mais de um milhão de seres
humanos estão realmente morrendo de fome, e esse número
aumenta constantemente... ...É uma nova era na história queum
comércio ativo e próspero seja índice não de melhoramento da
situação das classes trabalhadoras, mas sim de sua pobreza e degradação:
é a era a que chegou a Grã-Bretanha.” 206
Se um marciano tivesse caído naquela ocupada ilha da Inglaterra
teria considerado loucos todos os habitantes da Terra.
Pois teria visto de um lado a grande massa do povo trabalhando
duramente, voltando à noite paraos miseráveis e doentios buracos
onde moravam, que não serviam nem para porcos; de outro
lado, algumas pessoas que nunca sujaram as mãos com o trabalho,
mas não obstante faziam as leis que governavam as massas,
e viviam como reis, cada qual num palácio individual.
Havia, na realidade, duas Inglaterras. Disraeli acentuou isso
em sua Sybil: “Duas nações; entre as quais não há intercâmbio
nemsimpatia; que ignoram os hábitos, idéias e sentimentos uma
da outra, como se habitassem zonas diferentes, são alimentadas
com comida diferente, têm maneiras diferentes, e não são governadas
pelas mesmas leis.”
“O Senhor fala de...”, disse Egremont, hesitante.
“DOS RICOS E POBRES.” 207
206 P. Gaskell, op. cit., Londres, 1838. Prefácio.
207 B. Disraeli, Sybil or the Two Nations (1845).Macmillan & Co.,
Ltd., Londres, 1895, p. 74.
“A SEMENTE QUE SEMEAIS, OUTRO COLHE...” 191
Essa divisão não era nova. Mas com a chegada das máquinas
e do sistema fabril, a linha divisória se tornou mais acentuada
ainda. Os ricos ficaram mais ricos e os pobres, desligados
dos meios de produção, mais pobres. Particularmente ruim era a
situação dos artesãos, que ganhavam antes o bastante para uma...
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