a terceira margem do rio

Páginas: 10 (2461 palavras) Publicado: 15 de maio de 2014
Graphos. João Pessoa, v. 8, n. 1, Jan./Jul./2006 – ISSN 1516-1536

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AS MARGENS DO DEVANEIO:
UMA ANÁLISE DO CONTO
“A TERCEIRA MARGEM DO RIO”,
DE JOÃO GUIMARÃES ROSA
Andréa de Morais Costa BUHLER1

RESUMO
O presente artigo se a propõe analisar o conto “A terceira margem do rio” de João Guimarães Rosa, tendo em
vista a poesis do devaneio desenvolvido por Gaston Bachelard. No conto, aimagem do rio, representada em
suas três margens através das águas que se projetam, aparece como o grande símbolo da universalidade.
Trata-se da epifania de um mistério que revelando estados de uma alma em devaneio, tece arte e vida numa
conjunção de integralidade, força e beleza.
PALAVRAS-CHAVE: Guimarães Rosa, imagem, rio, devaneio, símbolo, universalidade.
ABSTRACT
The present articleproposes to analyze the short story “The third Bank of River” written by Guimarães Rosa,
having in sight the day-dreaming poetry developed by Gaston Bachelard. In the short story the image of the
river representing its three banks through the water which are projected appears as a great symbol of
universality. It is about the epiphany of a mystery which eveals the state of a day-dreaming soul,weaves art
and life in a conjunction of integrality, force and beauty.
KEYWORDS: Guimarães Rosa, image, river, day-dream, symbol, universality.

A poética rosiana é aquela cuja força imaginante abre-se em dois sentidos: no sentido do
aprofundamento e no sentido do devaneio. No que se refere ao aprofundamento, ela escava o
fundo do ser e aparece em sua insondabilidade, em seu mistério. Nosentido do devaneio, surge
como força inexaurível, como milagre. Pretendemos, pois, desenvolver a análise do conto “A
terceira margem do rio” de Guimarães Rosa, a partir das compreensões da poesis do devaneio
desenvolvida por Gaston Bachelard.
“A terceira margem do rio” é uma bela representação das interfaces entre a arte e a vida,
em que uma e outra se nutrem, se confundem, se misturam e se fundemnum movimento de pura
possibilidade de todas as formas a serem criadas, tendo a poesis do devaneio como síntese
fundante. No conto, o devanear aparece como uma consciência poética que, evocando uma
imaginação aberta, tenciona ao extremo a interioridade de uma vida em sua concretude sofrível
para depois, através de um elemento simbólico de fundo maravilhoso, libertá-la do fardo. O
símbolo é,pois, a epifania de um mistério. Justamente, “A terceira margem do rio” é este símbolo
psicológico essencial que, numa correspondência ontológica com a alma do sonhador, no caso o
pai, fá-lo despertar à totalidade de um sentido extraordinário de vida.
Para Bachelard (1986), o devaneio poetizando o sonhador e seu mundo, reúne o ser na
consciência do centro de si mesmo, fazendo com que ele sesinta mais do que é. O despertar que se
anuncia no cogito do devaneio tem uma dimensão especial que é a possibilidade de atar-se, de
imediato, ao objeto, à imagem: “O trajeto é o mais curto de todos entre o sujeito que imagina e a
imagem imaginada. O devaneio vive do seu primeiro interesse. O sujeito do devaneio é
surpreendido ao receber a imagem; surpreendido, encantado, despertado” (BACHELARD,p. 185).
Portanto a imagem do rio representada em três margens é a própria instância constituidora do
cogito devaneador do pai. Ou seja, a poesia do objeto transcende o próprio objeto e contamina o
seu sujeito anulando as diferenças entre eles. Trata-se de uma imagem dialética paralisada, onde
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Doutoranda em Literatura e Cultura – PPGL/UFPB. Orientador: Arturo Gouveia.

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poesia e vida se encontram num movimento de busca de felicidade eterna. É, por assim dizer, um
instante metafisico que capta a unidade perseguida.
Segundo Bachelard (1986), arte e vida não se encontram na banalidade do factual, pois
ambos têm por objetivo alcançar o homem em sua integralidade. Em suas concepções é possível
uma...
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