A Questão Racial No Brasil

Páginas: 6 (1257 palavras) Publicado: 26 de setembro de 2014
O presente artigo tenta mostrar, através de dados históricos, como se desenvolveu o racismo no Brasil.

Quando o colonizador português aqui chegou, no início do século XVI, encontrou um panorama étnico bem definido: nações indígenas, possivelmente originárias da Polinésia no Oceano Pacífico, bem distribuídas por todo o território brasileiro.

A lucratividade do tráfico negreiro e o interessedas nossas primeiras oligarquias agrárias em mão-de-obra escrava estimularam a vinda do negro africano para o Brasil. Em meados do primeiro século da colonização, um acordo silencioso foi firmado: o índio era "do padre", que tentava protegê-lo da escravização imposta pelo europeu, vivendo nas missões ou reduções jesuíticas da Amazônia, Sudeste e Sul do Brasil; o negro era trazido da África eexplorado pelos portugueses.

Nascia no Brasil um sincretismo cultural: a fusão de formas e conteúdos culturais indígenas, africanos e europeus. Uma mistura da religião católica e de cultos africanos, de melodias portuguesas e ritmos africanos, de hábitos alimentares indígenas e de comportamentos híbridos que formariam a base da cultura brasileira.

I Racismo no Brasil: um negro e a bandeirabrasileira ao fundo.negavelmente, até pelo fato de os indígenas terem sido excessivamente reduzidos numericamente, fruto do contato com o branco, há predominância nítida das influências portuguesa e africana na cultura brasileira.

Pode-se dizer que, no Brasil, nada é estrangeiro porque tudo o é. Somente uma região do planeta que tenha cultura autóctone pode definir outra como "estranha". Do ponto devista étnico, esta "antropofagia brasileira" - "comemos cultura estrangeira e a vomitamos a nossa maneira" - modelou uma meta-raça, ou seja, uma sociedade miscigenada nos sentidos racial e cultural.

Nascia, assim, um velho mito brasileiro: o da "democracia racial". Alguns teóricos de orientação conservadora chegaram a insinuar um caráter humanista do escravismo nacional, ignorando as péssimascondições de vida e de trabalho dos escravos africanos. Hoje sabemos que os maus-tratos eram terríveis, absoluto o descuido com os doentes e gestantes e que o crescimento vegetativo do negro no Brasil era negativo. Tudo isso era economicamente "compensado" com a reposição da mão-de-obra através do tráfico negreiro.

No século XVIII, em função da mineração aurífera nas Minas Gerais, começaram asurgir os negros "forros", cativos libertos por seus proprietários interessados em estimulá-los a descobrir o precioso metal.


O cenário racial no século XIX

Em 1810, tratados firmados entre a coroa portuguesa no Brasil e a Inglaterra determinavam a abolição do tráfico, uma proibição, na prática, meramente de fachada, pois o comércio continuou. Somente em 1850 a lei Eusébio de Queiroz aboliudefinitivamente o tráfico.

A partir daí, a defesa da abolição total da escravatura passou a ser a bandeira de alguns setores da nossa economia: a oligarquia cafeeira do Oeste Paulista, interessada em atrair mão-de-obra imigrante, e os primeiros empresários industriais, que desejavam mercado consumidor interno e mão-de-obra europeia, mais qualificada.

Além disso, a influência de teoriasracistas europeias, que defendiam a ideia da superioridade racial e cultural do caucasiano loiro, impuseram ao Brasil uma visão de branqueamento de sua população através do mulato, fruto da mistura étnica entre o branco e o negro, primeiro passo para o "projeto" de branqueamento total.

Dessa forma, tornavam-se fundamentais a abolição da escravatura e a vinda do branco europeu, processos queacelerariam esse branqueamento. Na ocasião, alguns teóricos nacionais cultuavam as capacidades de alemães e italianos e, em contrapartida, desprezavam nossa origem racial, taxando-a de triste e preguiçosa, preconceitos ainda presentes no nosso meio.

Grosso modo, a abolição da escravatura no Brasil co­nheceu dois caminhos. No Nordeste, que vivia a deca­dência da estrutura latifundiária, já que o...
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