A possibilidade de uma psicologia cientifica de Kant às ciências cognitivas

Páginas: 20 (4983 palavras) Publicado: 21 de agosto de 2014
A possibilidade de uma psicologia cientifica de Kant às ciências cognitivas
Pedro da Cunha Ramos
Universidade Federal Fluminense
O objetivo deste trabalho é fornecer uma pequena revisão de cunho ensaístico, capaz de orientar o inicio de uma discussão sobre os desdobramentos que alguns empreendimentos filosóficos e metodológicos produziram no campo da problemática epistemológica sobre apossibilidade de uma psicologia cientifica.
Para tanto não será utilizada uma concepção estritamente historicista da epistemologia da psicologia. De fato o que será proposto é o estudo de algumas contribuições que por motivos distintos foram consideradas relevantes e representativas para alguns posicionamentos no que diz respeito ao que é e quais seriam as condições em que se dá o “fazer ciência” empsicologia.
Com as novas preocupações da filosofia moderna, representadas inicialmente pelo pensamento cartesiano, propõe-se um dualismo metodológico que apesar de manter a tradição metafisica da dicotomia entre corpo e alma, inaugura uma nova forma de se conceber a natureza e a possibilidade privilegiada de conhecimento que o homem teria da mesma, ou seja através da ciência pensada a partir depilares matemáticos.
(Gomes, 2005)
1 –Kant

Kant afirmou a existência de uma realidade externa e independente do sujeito, designando-a por as coisas em si ou númenos (noumena). Apesar de ser um realista metafísico15, negou a possibilidade de conhecer as coisas em si.

Kant afirmara a impossibilidade de uma Psicologia Científica, mas na segunda metade do século de XIX os primeiros passos nessesentido foram
dados.
Uma lição inolvidável de Kant é que vemos o mundo através das nossas lentes cognitivas'.
As 'lentes' não são exatamente como Kant as imaginou e, certamente não são iguais para todos os humanos,
dependendo também do meio social. Entretanto aprendemos com ele que o conhecimento não é 'um espelho
da natureza' e não se dá apenas pelo acúmulo de percepções ou observações; eledepende da criatividade, da
imaginação e do poder de abstração do nosso intelecto.
(Silveira, 2002)
Apesar do veto acima mencionado, Wundt, que se dizia kantiano, funda a
psicologia experimental rejeitando justamente a exigência de Kant a todo saber
que se pretenda científico: a possibilidade de formalizar matematicamente seu
objeto, conforme os princípios a priori do entendimento humano.Claramente a psicologia, desde o século XIX até nossos dias, é então psicologia experimental, distinta da psicologia
metafísica pelo voto de constituir-se como ciência. “Psicologia Científica”, era o
que significava para Wundt a Psicologia Experimental, cuja história se inaugura
simbolicamente com seu primeiro laboratório em Leipzig em 1879, o
Psychologisches Institut.
Mas foi o próprio Kantque, apesar do veto posterior, viria a preparar efetivamente o solo para a psicologia experimental. Foi
esse filósofo da remota Könisberg que mostrou que a psicologia podia de fato se
apresentar como sustentada na experiência sensível. No lugar de uma alma transcendente,
fora do mundo da experiência, o objeto da psicologia de Kant é um “eu”
empírico, ou fenomenal, um objeto na mesma série dosobjetos na natureza.
No lugar da alma, a psicologia passou a ter, a partir de Kant, uma realidade empírica,
um conteúdo sensível ao qual poderia se remeter, no esforço de se constituir como
ciência.
Ou seja, como tentativa de explicar o conhecimento, a psicologia era um grande equívoco, porque assumia o “eu”
empírico ou psicológico como condição da objetividade quando, na verdade, écondicionado pelo “sujeito transcendental”, em seu trabalho de constituição da
objetividade.
Os avanços da ciência dispensaram inteiramente o conhecimento a
priori que deveria, segundo Kant, sustentar toda ciência.
Hoje ninguém duvida que a teoria do conhecimento de Kant e,
sobretudo sua exigência de fundamentação da ciência perderam o sentido. Seu
projeto de fundamentação em uma metafísica do a...
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