A perestroika ressuscitou o chauvinismo grão-russo

Páginas: 21 (5132 palavras) Publicado: 6 de janeiro de 2013
A perestroika ressuscitou o chauvinismo grão-russo
Por Aldo Rebelo *
 

A rebelião nacionalista abala a União Soviética e espanta o mundo. Dos Bálcãs ao Cáucaso a fronteira soviética estremece a cada manifestação de georgianos, armênios, azerbaidjãos, estonianos, lituanos, ora assumindo caráter de disputas étnicas e religiosas, ora contestando diretamente a hegemonia russa no Estadosoviético.

O terremoto nacionalista teve seu epicentro recente na República da Geórgia. Ali uma manifestação nacionalista foi massacrada por tropas russas com um resultado de dezenove mortos e mais de duzentos feridos, na praça principal de Tiblisi, a capital.
Mas data do ano passado o agravamento dos conflitos. Em fevereiro e março de 1988, aproximadamente 1 milhão de pessoas foram diariamente às ruasde Erivan, capital da república da Armênia, apoiar a anexação do território de Nagorno-Karabakh à Armênia. Para se entender melhor o problema, Nagorno-Karabakh é um enclave de maioria de população armênia, dentro do território do Azerbaidjão. A maioria dos armênios de Nagorno-Karabakh quer o retorno à administração armênia, o que não é desejado pelo Azerbaidjão. A disputa criou uma situaçãosingular, colocando o Soviete Supremo e o Partido Comunista (revisionista) da Armênia contra o Soviete Supremo e o Partido do Azerbaidjão. Depois de vários conflitos de rua, com dezenas de mortos, Gorbachev interveio, retirou o chefe do partido em Nagorno-Karabakh e colocou um interventor em seu lugar. 
A animosidade entre armênios e azerbaidjãos chegou a tal nível que quando um terremoto arrasou onorte da Armênia, dezembro último, os azerbaidjãos muçulmanos saíram às ruas de Baku (capital) festejando o desastre e atribuindo a um castigo de Alá os 50 mil mortos e 500 mil desabrigados armênios.
A Estônia, Letônia e Lituânia são as mais ocidentais das repúblicas soviéticas. O nível de desenvolvimento dessas repúblicas é superior ao da própria Rússia. No embalo da perestroika e da glasnostsurgiram no ano passado as chamadas "Frentes Populares", movimentos de massa de cunho nacionalista. Os estonianos passaram a exigir liberdade de comércio exterior e fuso-horário diferente para os países bálticos; o movimento "Perestroika na Lituânia" reivindicou mais autonomia e alguns chegaram a levantar a separação do país da URSS; na Letônia os manifestantes pleitearam o uso do idioma nacional.Moscou agiu no caso das repúblicas bálticas como no Cáucaso: com cautela, mas sem abrir-mão da autoridade e da posição de árbitro. Consentiu que as repúblicas bálticas voltassem a usar as bandeiras nacionais de antes de 1940 (data da incorporação à URSS): devolveu a catedral de Riga, capital da Letônia, aos luteranos, o mesmo fazendo em Vilna (Lituânia), com a catedral católica.
Quando aarqui-reacionária Igreja Ortodoxa da Rússia comemorou seus mil anos (maio de 1988), o patriarca Pimen não supunha que o próprio Gorbachev participasse pessoalmente dos festejos, transmitidos glamourosamente em cadeia de televisão.
No caminho de Lênin
Quais as origens dos atuais conflitos? Qual sua natureza de classe e a quem servem? As reivindicações nacionais dos povos que compõem a União Soviéticadevem receber o apoio das forças revolucionárias e progressistas do mundo?
Tal discussão torna-se importante porque os atuais defensores da perestroika procuram atribuir as rebeliões nacionalistas ao que chamam de "erros" e mesmo "crimes" cometidos por Josef Stalin à frente do Estado soviético. Mas há uma outra possibilidade, que procuraremos provar, de que a gênese da conflagração nacional deve-seexatamente ao contrário, ou seja, ao abandono da política, em essência correta, com que o Estado soviético tratou o problema das nacionalidades, não apenas no período de Stalin, mas desde o advento da revolução bolchevique, sob a direção de Lênin.
Todo o edifício da política para as nacionalidades seguida pelo Estado soviético na época de Stalin foi planejado e erigido por Lênin, com a ajuda...
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