A oposição de a.t.a hoffman e edgar allan poe ao capitalismo burgues

Páginas: 34 (8365 palavras) Publicado: 19 de maio de 2011
Romantismo e política

Michael Lowy

O que é romantismo? Enigma indecifrável, verdadeiro quebra-cabeça chinês, o fato romântico parece desafiar a análise científica não apenas porque sua vasta diversidade resiste aparentemente a qualquer tentativa de redução a um denominador comum, mas também e sobretudo por seu caráter fabulosamente contraditório, sua natureza de coincidentia oppositorium: àum só tempo (ou ora) revolucionário e contra-revolucionário, cosmopolita e nacionalista, realista e fantástico, restitucionista e utopista, democrático e aristocrático, republicano e monarquista, vermelho e branco, místico e sensual... Contradições que atravessam não apenas o "movimento romântico", mas a vida e obra de um único e mesmo autor e, às vezes, de um único e mesmo texto.
Diante desseenigma a crítica não-marxista forneceu, sem dúvida, notáveis contribuições parciais, com trabalhos filológicos, estudos específicos deste ou daquele autor, e, sobretudo com análises de Weltanschauung. Permite assinalar um certo número de traços importantes que se encontram, se não em todos, ao menos em grande parte dos autores românticos. Procuraríamos, porém, em vão uma atitude global que pudesserevelar a coerência interna desses elementos descritivos, a unidade profunda dessas menbra disjecta e seu significado sócio-cultural.
O mérito dos trabalhos marxistas — quaisquer que sejam,aliás, suas limitações e simplificações (às vezes extremamente arbitrárias e unilaterais) — é de ter
salientado o essencial, designado o eixo comum, o elemento unificador do movimento romântico na maioria, senão na totalidade, de suas manifestações através dos principais focos europeus (Alemanha, Inglaterra, França) :a oposição ao capitalismo.
Daí o conceito de romantismo anticapitalista, formulado pela primeira vez por Lukács, mas cujos antecedentes podem ser encontrados nos escritos de Marx e Engels sobre Balzac, Carlyle, Sismondi etc. Tais escritos revelam, apesar das críticas, o enorme valor dadopelos autores do Manifesto comunista a pensadores que, mesmo sendo laudatores temporis acti, tinham cravado a estaca no próprio coração do capitalismo.
Ao contrário de Marx e Engels, muitos autores marxistas (ou influenciados por Marx) do século XX não enfocaram o romantismo — em particular o alemão — senão como uma corrente reacionária e contra-revolucionária. Na França, esta orientação serárepresentada notadamente por Jacques Droz; seus notáveis livros sobre o romantismo político na Alemanha situam com bastante precisão o caráter global do fenômeno (sua natureza de Weltanschauung) e sua dimensão an ti capitalista. Mas o movimento é concebido como sendo, em última análise, uma reação aos "princípios da Revolução Francesa e da conquista napoleônica", uma reação que aspira restaurar acivilização medieval e que se situa, sem dúvida alguma, "no campo da contra-revolução"; em uma palavra, um movimento que expressa a consciência que as antigas classes dirigentes tinham do perigo que as rondava". Tal posição implica que Hõlderlin, Büchner e os outros românticos favoráveis à Revolução Francesa sejam excluídos do quadro de análise e que o período jacobino e pró-revolucionário denumerosos escritores e poetas, cujo caráter romântico não deixa dúvidas, não passe de um acidente inexplicável. Referindo-se a Friedrich Schlegel, Droz reconhece que sua passagem do republicanismo ao conservadorismo é "difícil de ser explicada" e acaba atribuindo-a (segundo a tese de Carl
Schmitt que aliás ele considera falsa) ao "diletantismo ocasionalista" do poeta.
Também Lukács é um dessespensadores marxistas que consideram o romantismo anticapitalista sobretudo como uma corrente reacionária, que tende para a direita e para o fascismo. No entanto, ele tem o mérito de ter criado o conceito de romantismo anticapitalista para designar o conjunto das formas de pensamento em que a crítica da sociedade burguesa se inspira em uma referência ao passado pré-capitalista. Também compreendeu o...
Ler documento completo

Por favor, assinar para o acesso.

Estes textos também podem ser interessantes

  • Metzengerstein – Edgar Allan Poe
  • Os contos de Edgar allan poe
  • Bibliografia de edgar allan poe
  • edgar allan poe
  • Edgar Allan Poe
  • Edgar allan poe
  • Edgar Allan Poe
  • A vida do Edgar allan poe

Seja um membro do Trabalhos Feitos

CADASTRE-SE AGORA!