A justila em platão: uma virtude?

Páginas: 19 (4582 palavras) Publicado: 29 de setembro de 2012
A JUSTIÇA EM PLATÃO: UMA VIRTUDE?

Apresentamos o trabalho sobre a justiça em Platão tendo em vista a ênfase no tema da virtude, visando sempre a discussão ética. A abordagem da questão da justiça leva ao tema da virtude; uma vez que aquela seja entendida como uma parte desta. Seria a justiça a virtude em si ou uma virtude? É importante notarmos que ao concebermos uma virtude em si estamosabrindo precedente para um novo modo do ser se comportar, isto é, como um eidos, uma entidade. O debate das essências se torna premente no presente trabalho, sobretudo no que diz respeito à construção do conceito. Tudo isso é relevante na medida em que acompanhará o desenvolvimento da teoria platônica: de seus primórdios, dos assim chamados diálogos aporéticos, até a teoria das Idéias.
O textoprivilegiado para a abordagem da questão da justiça será o livro I da República. Neste, o tema da justiça será apresentado em três momentos, a dizer, os dos três interlocutores de Sócrates: Céfalo, Polemarco e Trasímaco. Esses três momentos realizam espécies distintas do discurso, do lógos, se conformar. Em breves palavras, Céfalo representa a fala da tradição, Polemarco o dizer dos poetas, e,Trasímaco, o entendimento do sofista.
Na parte inicial da República encontraremos Sócrates se insurgindo contra cada uma das reiteradas tentativas de dizer a justiça, para em seguida propor sua própria definição, a dikaiosýne. Nesta passagem, muito se recorre à expressão tò dikaión, o justo, e pouco àquela outra, hè dikaiosýne; e a distinção e determinação destes termos nos são essenciais para acaracterização do que de fato seja o justo ou a justiça em si mesma.
Vemos transcorrer a fala do velho Céfalo, com sua máxima acerca da justiça ancorada na tradição, e que diz ser justo dizer a verdade e restituir a alguém aquilo que se lhe tomou. Em tudo um dizer do âmbito do justo, de uma particularidade. Em seguida se nos apresenta Polemarco, que, seguindo os passos do poeta Simónides, estará arepetir a máxima do senso comum de que é justo restituir a cada um o que se lhe deve, acrescendo-lhe a pseudo verdade de que a amigos se deve fazer o bem e a inimigos o mal. A esta sentença Sócrates irá contrapor o entendimento de que seja esta a fala de um tirano e não a de um poeta. Assim, a partir desses dois entendimentos, de Céfalo e de Polemarco, não resta a Sócrates senão uma definição privativada justiça: aquilo que ela não é.
Em relação à fala de Trasímaco, destaca-se aquela em que o sofista define a justiça como a conveniência do mais forte. Não está de todo equivocada, se se tem em conta que de fato seja assim que se dê na realidade. Não se aceita em geral uma tal definição para o justo porque atenta contra a razão mais comum que se tem de justiça. Então é porque há um sentido maisprofundo de justiça que pré-existe a realidade dos fatos. Então é porque Sócrates também está a pôr em relevo e a nos indicar a contraposição entre poder e verdade; entre as determinações exteriores de dado estado de direito e a concepção mais interiorizada de justiça, a dikaiosýne, que está a apontar para a auto-realização do homem, para a virtude e a alma.
Sabemos que neste Livro I Sócratesacaba como que querendo nos fazer cair numa falsa aporia, quando diz que nada esteve a aprender, de fato, uma vez que não chegou a determinar a definição da justiça enquanto essência. No entanto, um pouco antes, com Trasímaco, acreditando lançar bases de uma nova compreensão ontológica da justiça, estará a defini-la através da expressão areté kai sophia, isto é, virtude e sabedoria. Não é pouco o quese está a dizer quando se afirma ser a justiça da esfera da virtude. Significa essa afirmação o conduzir por um novo caminho a questão; não só da determinação da justiça e do justo, como a redefinição dos critérios para sua apreensão na realidade.
Logo após vincular a justiça à virtude e à sabedoria, diga-se, uma virtude esta última também, Sócrates estará a dizer-nos que a justiça é uma...
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