A invenção da Psicanálise

Páginas: 14 (3273 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2014
Nascida no dia 03 de dezembro de 1895, Anna era a mais jovem dos seis filhos de Sigmund e Martha Freud. Anna não fora desejada nem por sua mãe, nem por seu pai, que decidiu, depois de seu nascimento, permanecer casto por não poder utilizar contraceptivos.
Ela era uma criança viva com uma reputação para traquinagens. Freud escreveu ao amigo dele Fliess em 1899: “Anna está completamente bonitapor sua desobediência….” Quando a sua irmã rival a ela se casou em 1913, a Anna escreveu ao pai dela. “Eu estou alegre que Sophie se casa, porque a disputa interminável entre nós era horrível para mim.” Anna teve de lutar para ser reconhecida pelas qualidades de que dispunha: coragem, tenacidade e o gosto pelas coisas do espírito. Não tendo nem a beleza de sua irmã Sophie Halberstadt nem a elegânciade Mathilde Hollitscher, sentia-se em estado de inferioridade na família, na qual se esperava que só os herdeiros masculinos fossem talentosos para os estudos.
Rivalizando desde a infância com sua tia Minna Bernays, passou a adolescência invejando a doutrina que a privava de seu pai adorado. Na idade adulta, para aproximar-se dele, decidiu entrar para o círculo de seus discípulos. Mas comoestava impedida de ir para universidade estudar medicina, tornou-se professora primária. Exerceria essa profissão durante toda a Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1920 exatamente.
Anna terminou sua educação básica em Viena em 1912. Em 1914 ela viajou para a Inglaterra no intuito de melhorar o inglês . Ela estava lá quando a guerra foi declarada e assim se tornou um “estrangeiro” inimigo (25 anosdepois, em 1939, seria repetida esta experiência). Ela teve que voltar a Viena, com o embaixador Austro-húngaro e a companhia dele.
Ensinou na escola em que estudou, a “Cabana Lyceum”. Um dos alunos dela escreveu depois: “Esta jovem senhora teve muito mais controle sobre nós que as titias mais velhas.”
Já em 1910 Anna tinha começado a ler o trabalho do seu pai, porém o seu primeiro contato com omovimento psicanalítico ocorreu em 1913. Por ocasião de uma viagem a Londres, encontrou-se subitamente implicada no centro das relações de seu pai com Ernest Jones. Acompanhando Loe Kann, amante de Jones então em análise com Freud, Anna foi cortejada por ele. Prevenido por Loe, Freud reagiu muito mal e dirigiu a Jones sérias advertências, ao mesmo tempo em que proibia à filha embarcar em uma aventurasem futuro com um “velho celibatário” astuto. Não contente de agir como pai autoritário, fez com que Loe se analisasse para interpretar o comportamento de seu discípulo: “Jones, disse ele, faz a corte a Anna para vingar-se do fato de que sua amante quer deixa-lo, graças ao sucesso de seu tratamento.” A partir desse dia, Freud começou a desviar de sua filha todos os pretendentes que ousavamfazer-lhe a corte (Hans Lampl, notadamente). Jones esperou quarenta anos para explicar-se com Anna e confessar-lhe que continuava a amá-la.
Depois da morte prematura de Sophie e do casamento de Mathilde, Anna Freud tornou-se a Antígona da casa paterna, ao mesmo tempo discípula, confidente e enfermeira. Quanto a Freud, não hesitou em analisa-la por duas vezes: entre 1918 e 1920 e entre 1922 e 1924 (Nãoera anômalo para um pai analisar sua própria filha naquele momento, antes de qualquer ortodoxia tivesse sido estabelecida). Dez anos depois, tentaria justificar sua decisão: “Com minha própria filha tive sucesso, com um filho têm-se escrúpulos especiais.” Na verdade, Freud não se iludia com essa explicação edipiana. Sabia muito bem que essa análise tivera como efeito reforçar o amor que Anna lhededicava e que a afirmação do “sucesso” do tratamento não era mais do que a expressão de uma paixão impossível de resolver. E foi com toda a franqueza que expressou a Lou Andréas- Salomé o seu verdadeiro sentimento: era tão incapaz de renunciar a Anna quanto deixar de fumar.
Do seu lado, Anna sofria com o escândalo que essa paixão suscitava no movimento psicanalítico. Foi por isso que tomou como...
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