A invenção da política

Páginas: 13 (3198 palavras) Publicado: 4 de dezembro de 2013
A Invenção da Política

A partir do momento em que houve humanidade em alguma parte da terra, houve política. A primeira sociedade particular na qual se reconheceu que a política não característica de uma sociedade particular, mas do homem em geral, foi a sociedade particular grega. Assim Protágoras explica que os homens devem viver politicamente, pois lhe faltam qualidades biológicas de quedispõem as outras espécies animais para poder sobreviver na luta pela vida, e devem, portanto, se unir e dar prova das virtudes necessárias à cooperação e à vida em comum.
Platão explica a vida política a partir da insuficiência dos homens para satisfazer individualmente as próprias necessidades e da necessidade da divisão do trabalho.
Aristóteles vê no homem um “animal político” por definição,isto é, um ser que vive naturalmente em comunidades políticas e que não pode ser feliz senão nessa vida com seus semelhantes.
Era, portanto, à natureza em geral, ou pelo menos à natureza do homem, e não ao gênio grego em particular, que os pensadores gregos atribuíram a invenção da política. Não existem inventores do político. Ele está na natureza do homem, que não o inventou...
Ora, se todosos homens sempre viveram politicamente, esse em particular o caso dos índios no Brasil de antes da descoberta. E era precisamente o que os descobridores europeus se recusavam a reconhecer. Das tribos tupinambás, eles diziam com desprezo: “Sociedade sem fé, sem lei, sem rei”.
Mas era só porque eles não reconheciam sua fé, sua lei, seu rei, e porque identificavam o político com sua realização nassociedades de onde eles próprios vinham, nas quais reinavam monarquias “absolutas” e “de direito” “divino”.
De ordinário, o termo “político” não evoca de forma alguma um caráter geral da vida humana, mas certos homens em particular (os “políticos”, deputados ou ministros, ou os militantes), certos aspectos determinados da vida humana (ambição, popularidade, lutas pelo poder...), certos momentosprivilegiados da vida pública (campanhas eleitorais, manifestações) ou ainda certos setores da vida social (por oposição à economia, à cultura, à educação...). É preciso romper com essas imagens para compreender a essência do político e sua ligação com o humano em geral.
Dizer que homem vive politicamente é dizer que, de fato, vive e que, de direito, ele não poderia, indubitavelmente, viver forados laços que o unem a essa comunidade relativamente estável que transcende as relações biológicas.
[...] uma tribo, uma Cidade antiga, uma nação moderna, um império, uma federação são comunidades políticas; aqueles que fazem parte dela têm uma memória comum e um sentimento de pertinência, distinguindo o interior (nós) e o exterior (eles) [...].
O interior é, ou antes, deveria sempre ser a paz. Oexterior é, ou antes, poderia ser a guerra.
Contudo, o comunitário não suficiente para definir o político. Aliás, o próprio fato de que sejam necessários, por exemplo, as crenças, os mitos ou as ideologias que acabamos de evocar para garantir o laço político, mostram bem que a vida política não é natural ao homem como a respiração o é. Os homens não vivem na comunidade como um peixe na água.Eles todos e sempre de modo político, mais isso não quer dizer que tal aconteça sem esforço nem coerção. Eis o paradoxo: eles vivem necessariamente em comunidades políticas, mais não podem fazê-lo sem coerção, isto é sem política. E viver politicamente é isso. É como se a natureza os obrigasse a viver contra sua natureza. E essa dupla natureza é o político.
A política se define, portanto, por doistraços essenciais. É preciso uma comunidade e é necessário que, no próprio seio dessa comunidade e não fora dela, exista uma instância de poder. [...] Dissemos poder e não hierarquia, autoridade ou comando. Talvez existam comunidades não hierarquizadas, pode-se discutir essa possibilidade. Mas é certo que existam certas comunidades hierarquizadas, nas quais alguns homens comandam outros homens,...
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