A Interpreta O Das Culturas Festejando Os 35 Anos 2008

3011 palavras 13 páginas
“A interpretação das culturas: festejando os 35 anos”. 2008. Cadernos de campo
16(16): 281-286.
Claudia Fonseca

Em 2008, por ocasião dos 35 anos do lançamento do livro The Interpretation of Cultures
(apelidado de TIC em inglês) e trinta anos do lançamento no Brasil da versão em português (com nove dos quinze capítulos originais), fui convidada pelos editores da
Cadernos de Campo a escrever uma resenha. Entretanto, a morte recente do autor havia fatalmente de mudar a postura da resenhista. Entendi então que a resenha seria também um momento para homenagear Clifford Geertz, aquele grande homem que tanto marcou a antropologia norte-americana (e, provavelmente, a antropologia mundial 1) da segunda metade do século XX.
Ao rever algumas matérias entre o imenso volume de textos escritos por e sobre esse pensador, duas coisas chamaram minha atenção. Em primeiro lugar, me dei conta de que
Geertz – esse gigante intelectual que se tornaria o pai espiritual de uma geração de novos antropólogos – não era professor. Diferentemente dos autores clássicos que o precederam (Boas e Malinowski se destacam entre os grandes mestres que, pessoalmente, formaram dezenas de discípulos), Geertz passou pouco tempo de sua vida dando aulas ou orientando estudantes. Durante seus dez anos na Universidade de Chicago, em cuja reformulação do currículo seu papel foi fundamental, Geertz foi liberado da maior parte das obrigações de ensino e formou poucos doutores 2.
Essa falta de experiência didática torna-se relevante quando olhamos para o estilo dos textos de Geertz, um estilo cheio de insinuações e piscadelas, que, como lembra Peirano
(1990), não é para neófitos. Nesse sentido, quem procura no famoso capítulo metodológico “Uma descrição densa: por uma teoria interpretativa da cultura” um substituto para a “Introdução” aos Argonautas do Pacífico Ocidental muito provavelmente terá suas expectativas frustradas. Elizabeth Colson expressa essa idéia de outra forma em uma resenha de 1975 sobre A

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