A força da tradição a persistência do antigo regime historiográfico na obra de marc bloch

Páginas: 8 (1772 palavras) Publicado: 14 de novembro de 2011
Fichamento do texto:
GOMES, Tiago de Melo. A Força da Tradição: a persistência do Antigo Regime historiográfico na obra de Marc Bloch. In. Varia História, vol. 22, nº 36. Belo Horizonte: 2006. p.443-459

1- Tema
O texto aborda a permanência de traços da historiografia do século XIX na obra de Marc Bloch, um dos fundadores da escola dos Annales, com destaque para o livro A sociedade feudal,1939.

2- Tese central
O autor destaca que muitas passagens dos livros de Bloch, em especial A sociedade feudal, poderiam ser facilmente comparadas aos textos dos historiadores tradicionais, criticados pelos Annales, escola fundada com a pretensão de romper com todos os traços da historiografia tradicional.

3- Lógica interna
O texto está dividido em quatro partes. São elas: a introdução, naqual o autor apresenta os questionamentos que os Annales vem recebendo nas últimas décadas, ainda que não se possa negar os méritos dessa escola; a segunda parte intitulada “Da Unidade Essencial dos Povos Romanos e Germânicos e de Sua Comum Evolução”, na qual são destacadas as tendências de Bloch a usar termos que remetem ao evolucionismo, a manter a separação entre o “nós” (europeus) e o “eles”(invasores), a conceber os não-europeus como “bárbaros” e a valorizar os feitos militares; o trecho denominado “As Grandes Potências”, no qual o autor aborda como o historiador francês mostrava-se simpático a muitos historiadores anteriores aos Annales, argumentando que era necessário superar seus mestres esperando um dia ser superado pelos seus sucessoras; por fim, nas considerações finais, Gomespondera que apesar da permanência desses elementos na obra de Bloch, o caráter inovador deste não pode ser negado, mas 1929 não marca o rompimento com a historiografia anterior nem o recomeço da História a partir do zero.

4- Interlocuções
O autor se vê como parte de recentes estudos que tendem a questionar até que ponto vai a inovação dos Annales, assunto que por décadas foi consideradoincontestado. Os principais interlocutores são:
Arno Mayer: esse autor não escreveu sobre o mesmo tema, mas a respeito da permanência de traços do Antigo Regime até 1914. No título do artigo, Gomes faz uma alusão à produção de Mayer (A força da tradição: a permanência do Antigo Regime (1848-1914)).
Jacques Revel, Braudel e Le Goff: estes autores concebem a fundação da escola dos Annales como umaruptura com a historiografia anterior e o reinício do estudo da História. Gomes discorda desses autores.

5- Trechos de destaque

5.1- Introdução
“... ao longo dos anos os historiadores do grupo (escola dos Annales) construíram uma história da historiografia mundial na qual aquele ano aparecia como um marco zero da renovação historiográfica que derrubou as correntes vigentes no século XIX.” (p.445)“Independente da opinião que se possa ter sobre o assunto, é essencial lembrar a existência de autores de outras tendências que vêem no grupo uma grande importância, mas colocam-no como fenômeno paralelo ao Marxismo e outras tendências contemporâneas que contribuíram para a superação da historiografia do século XIX, e não como uma novidade que superou as demais visões de História...” (p.445)“Sem deixar de reconhecer o pioneirismo da escola francesa, diversos autores têm tentado complexificar o quadro anterior, matizando a idéia de que haveria uma total descontinuidade entre a obra dos Annales e a historiografia anterior. Há inclusive autores simpáticos ao grupo que têm observado a incoerência presente no fato de a escola contar sua própria história de modo nacionalista, linear e heróico,nos mesmos termos em que a historiografia anterior era por eles criticada.” (p.446)
“No entanto, nota-se que os importantes esforços para mostrar que a historiografia anterior não era a caricatura que o grupo francês desenhou não têm tido contrapartida que vise discutir a possibilidade de que a escola possa ter incorporado elementos que criticavam naqueles historiadores. É evidente que algo...
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