A fogueira

Páginas: 14 (3334 palavras) Publicado: 18 de julho de 2015
 A fogueira

A velha estava na esteira, parada na espera do homem sai̍do no mato. As pernas sofriam o cansaco de duas vezes: dos caminhos idosos e dos tempos caminhados.
Procurou na penumbra o braco do marido para acrescentar forca naquela tremura que sentia. Quando a sua mao encontrou o corpo do companheiro viu que estava frio, tao frio que parecia que, desta vez, ele adormecera longe dessafogueira que ninguem nunca acendera.



O ultimo aviso do corvo falador

Foi ali, no meio da praca, cheio de gente bichando na cantina Zuze paraza, pintor reformado, cuspiu migalhas do cigarro “mata-ratos”.
Depois, tossiu sacudindo a magreza do seu todo corpo. Entao, assim contam os que viram, ele vomitou um corvo vivo. O passaro saiu inteiro das estranhas dele. Embrulhado nos cuspes, aoprincipio nao parecia. A gente rodou a volta do Zuze, espreitando o passaro caido da sua tosse. O bicho sacudiu os ranhos, levantou o bico e, para espanto geral, disse as palavras. Sem boa pronuncia, mas com conviccao.
Aceitando o aviso, os habitantes comecaram a abandonar a povoacao e sairam em grupos uns, sozinhos outros, e por muitos dias vaguearam errantes como as penas que o ventodesmanchava na distancia.









O dia em que explodiu Mabata-bata

Narrativa que comeca com fatos aparentemente inconcebiveis para a logica racional de um boi explode e que quando ganham status de realidade verossimil e explicavel, imediatamente se torna surreal.
O espanto nao cabia em Azarais, o pequeno pastor. Ainda ha um instante ele admirava o grande boi malhado, chamado de Mabata-bata. O bichopastava mais vagaroso que a preguica. Era o maior da manada, regulo da chifraria, e estava destinado como prenda de lobolo do tio Raul, dono da criacao. Azarias trabalhava para ele desde que ficara orfao. Despegava antes da luz para os bois comessem o cacimbo das primeiras horas. Talvez o Mabata-bata pisara uma restia maligna do ndlati o tio, nao. Havia de querer ver o boi falecido, ao menos serapresentado uma prova do desastre. Ja conhecia bois relampeja dos: ficavam corpos queimados, cinzas arrumadas a lembrar o corpo os pensamentos corriam-lhe como sombras mas nao encontravam saida. Havia uma so solucao: era fugir, tentar os caminhos onde nao sabia mais nada.
Fugir morrer de um lugar e ele, com os seus calcoes rotos, o pequeuno pastor saiu da sombras e correu o real onde o rio davapassagem. De subito, deflagrou um clarao, parecia o meio-dia da noite. O pequeno pastor engoliu aquele todo vermelho. Era o grito do fogo estourando. Nas migalhas da noite viu descer o ndlati, a ave do relampago.
Em volta tudo fechava, mesmo o rio suicidava sua agua, o mundo embrulhava o chao nos fumos brancos. Vens pousar o avo, coitada, tao boa? Ou preferes no tio, afinal das contas,arrependido e prometeste como o pai verdadeiro que morreu-me antes que a ave do fogo se decidisse Azarais correu e abracou-a na viagem da sua chama.

Os Passaros de Deus

A historia narra o encontro de Ernesto Timba com um passaro e os devotados cuidados que esta comeca ter para com a criatura. Narrativa de fundo analitico sobre as linhas que separam a crenca, da religiao e da loucura.
Aos doze anoscomecara a escola de tirar peixe da agua. Sempre no comboio da corrente, a sua sombra havia mostrado, durante trinta anos, a lei do homem sobre o rio. E tudo era para que? A seca esgotara a terra, as sementeiras nao cumpriam promessa. Quando regressava da pescaria, nao tinha defesa para os olhos da mulher e dos filhos que se espetavam nele. Pareciam olhos de cachorro, custava admitir, mas a verdade eque a fome iguala os homens aos animais.
Enquanto pensava as suas dores, Timba fez a canoa escorrer devagarinho. Por baixo da mafurreira da margem, ali onde o rio estreitava, parou o barco para enxotar o pensamento triste. Deixou o remo a trincar a agua e a canoa agarrou-se a imobilidade
No dia seguinte, encontraram Ernesto, abracado a corrente do rio, arrefecido pelo cacimbo da madrugada. Quando...
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