A evolução do capitalismo

Páginas: 13 (3161 palavras) Publicado: 25 de julho de 2013
CAPÍTULO 4 - O ETERNO RETORNO: PROVA MAIOR

(Do livro: Nietzsche: a vida como valor maior, Alfredo Naffah Neto,
FTD, São Paulo, 1996, p. 76-83)


Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser.
Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser.
Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constróí-se a mesma casa do ser.
Tudo se separa, tudo volta a se encontrar;eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser.
Em cada instante começa o ser; em torno de todo o "aqui " rola a bola "acolá ".
O meio está em toda parte. Curvo é o caminho da eternidade.

FRIEDRICHNIETZSCHE, Assim falou Zaratustra, "0 convalescente", § 2.



Quando Nietzsche se pergunta o que é o mundo, ele assim o descreve (l978: 397): como força por toda parte, como jogo de forçase ondas de forças, ao mesmo tempo um e múltiplo, aqui articulando-se e ao mesmo tempo ali minguando, um mar de forças tempestuando e ondulando em si próprias, eternamente recorrentes [... ], abençoando a si próprio como aquilo que eternamente tem que retornar, corno um vír-a-ser que não conhece nenhuma saciedade, nenhum fastio, nenhum cansaço.


Uma usina em ebulição

Esse mundo descrito porNietzsche, como "um mar de forças tempestuando e ondulando", que em muitos aspectos evoca os quadros de Van Gogh, é como uma usina: eternamente se produzindo, se rompendo, se recompondo, se reconstruindo. Aí, cada instante traz em torno de si todo o passado e todo o futuro que ele projeta: enlaça-os e os agita como num caldeirão, lançando-os, em seguida, corno num jogo de dados ou de búzios.Assim, cada instante retraça a sorte e o destino, fazendo retornar o mundo com tudo o que ele tem de bom e de ruim, de grande e de pequeno, de cintilante e de opaco. E, no fundo desse caldeirão, cada um de nós é enlaçado, agitado e recriado, em cada instante em que o ser recomeça, em cada um dos múltiplos anéis em que retorna.


O eterno retorno é a grande prova, o grande teste de vida peloqual cada homem tem de passar, como nos conta Nietzsche em A gaia ciência (1978: 208):

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "esta vida, assim como tua avives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há deindizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência- e do mesmo modo essa aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!" Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ouviveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes"" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou, então, com terias deficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Amor ao destino

É imponderável o quanto cada um de nós necessita estar bem consigo próprio e com a vida para dizer: "Quero isso inúmeras vezes, quero isso eternamente!". Por isso, o eterno retorno é posto por Nietzsche como um imperativo ético, seletivo. Para passar por essaprova, qualquer homem deverá ter vencido todos os ressentimentos, azedumes e depreciações com relação à vida, deverá estar imbuído daquilo que Nietzsche denominou amor fati (amor ao destino), que significa não querer nada de outro modo, nem para diante nem para trás, nem em toda a eternidade, conforme disse o filósofo em um de seus derradeiros escritos.
O mundo e o "eu" que retornam, em cada...
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