A dominação do corpo no mundo administrado- conrado ramos

Páginas: 5 (1129 palavras) Publicado: 19 de maio de 2012
Conrado Ramos, ao escrever A dominação do corpo no mundo administrado, convida o leitor à reflexão crítica sobre o mundo perverso em que vive e estimula-o a pensar nas formas que ajuda a consolidá- lo assim.
No primeiro capítulo, Relações entre indivíduo e sociedade, ele disserta sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade sob a ótica que de que a cisão absoluta dessas duas instâncias éfalsa consciência.
A psicologia, como sendo campo de produção científica, se caracteriza pelo esforço de entender e explicar as relações do indivíduo com o semelhante, com a coletividade, com a sociedade. Sendo assim, ao se pensar na relação indivíduo – sociedade, surgem duas questões pertinentes, tal sejam: como separar o que é do indivíduo daquilo que é da sociedade? Como juntar categorias criadaspara o estudo de objetos tão diferentes como são o indivíduo e a sociedade? Daí pode surgir o risco da psicologização dos determinantes sociais e a sociologização dos determinantes psíquicos.
Conrado acredita que pensar o psiquismo sem levar em conta a sua determinação social é perder o indivíduo em questão ou impor a ele aquilo que ele não é, bem como é igualmente inadequado pensar o indivíduomeramente como fruto do social sem resguardar a ele um limite para sua individualidade. Isso universalizaria os indivíduos, pois, sendo da mesma sociedade, seriam influenciados pelos mesmos aspectos sociais, assim, indiferentemente, todos seriam iguais. Perderiam as suas particularidades e enfraqueceria as suas resistências à sociedade, uma vez que, se eles fossem unicamente influenciados por ela,não teria porque ir contra o que lhes formou, pois estariam indo contra eles mesmos.
A psicologia se insere num campo repleto de contradições. No caso do texto percebemos isso quando uma hora critica-se a unificação da psicologia com a sociologia, pelo fato das tentativas de unificá- las não levar em consideração que elas são realmente, e não metodologicamente, separadas. Em outro momento,defende-se a tese de que não se deve separar absolutamente indivíduo e sociedade, pois, se assim fosse, estaria reafirmando uma realidade histórica socialmente construída chamada sociedade individualista.
Tomando como base o que Conrado afirma, que ao se desconsiderar o social ao se pensar no psiquismo, perde-se o indivíduo, ou toda psicologia deveria ser social, já que o que ela estuda é esseindivíduo, logo ele tem de existir, ou somente à Psicologia Social caberia reivindicar a reflexão crítica, que pensa o teorizado levando em conta o contexto histórico, social e político.
Diferente da psicologia crítica, que objetiva buscar na relação indivíduo-sociedade as rupturas, as semelhanças que podem, por ventura, proporcionar reconciliação, as continuidades, pois só assim, se alcançará oslimites e os movimentos do funcionamento do indivíduo, sempre considerados dentro do movimento histórico, a psicologia clássica busca no indivíduo as leis psíquicas para a sua interação com o social. A crítica que recai sobre esse tipo de psicologia é a de que, ao se basear em leis fixas e definidas, passa-se a perceber o homem como imutável e independente.
Conrado instiga ainda mais nossa capacidadecrítica quando aponta dois questionamentos:
Será evidente que a sociedade, no que diz respeito à humanização do próprio homem, não vai muito bem?
Será evidente o desejo de transformar a sociedade no intuito de tornar-la verdadeiramente humana?
A não aceitação dessas assertivas, leva a crer na passividade diante da constante necessidade de transformação da sociedade. Acreditar que a sociedadeatual é humana, acreditar que está tudo bem e negar-se a agir, a fim de melhorar o que traz sofrimentos, pode tornar a psicologia uma ideologia perigosa, uma vez que, ela dá as costas à humanização que afirma, dando margem a uma falsa humanização.
As teorias que explicam passiva e ingenuamente a sociedade, desconsiderando a influências dessa sob o particular e considerando o indivíduo num nível...
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