A Apologia da História ou O Ofício do Historiador

Páginas: 12 (2785 palavras) Publicado: 18 de junho de 2014
Apologia da História ou O Ofício de Historiador
Daiane de Azambuja Santos.*
Marc Léopold Benjamim Bloch nasceu em Lyon na França em 6 de julho de 1886. Era filho de Gustave Bloch (professor de História Medieval) e estudou na Escola Normal Superior de Paris, em Berlim e em Leipzig antes de ser bolsista da Fundação Thiers de 1909 à 1912.
Lutou na Primeira Guerra Mundial na arma de infantaria.Depois da guerra ingressou na Universidade de Estrasburgo, lá conheceu Lucien Frebvre com quem fundou a “Revue de Annales” que deu origem à chamada “Escola dos Annales”
Com a emergência da Segunda Guerra Mundial, ocupação nazista da França, teve que deixar a direção da Revista dos Annales (já que era judeu). Militar na resistência francesa, acabou sendo detido pela Gestapo, e em 16 de junho de1944 foi fuzilado, deixando sua obra “Apologia da História” inacabada.
Bloch é considerado o maior medievalista de todos os tempos, e por muitos, o maior historiador do século XX. Com toda certeza o que tem mais visibilidade é a sua resposta para “O que é História?”, segundo Bloch “É a ciência dos homens no transcurso do tempo”.
Preso no ano de 1944 March Bloch começou a redigir sua obra a“Apologia da História”. Pode-se dizer que esta obra condensa as primeiras ideias da Escola dos Annales. No decorrer de cinco capítulos (o último inacabado) Bloch apresenta um trabalho de metodologia histórica. Trabalho esse que claramente se opõe a escola Metódica, sendo criado a partir desta obra um método novo para os historiadores. Bloch investiga as práticas de trabalho do historiador e seusobjetivos científicos e assinala como deve ser a história e como o historiador deve trabalhar.
No primeiro capítulo A história e os homens no tempo, o autor começa falando da escolha do historiador, aborda tal tema começando por falar do espaço que a história tem enquanto ciência. Para Bloch a história é tratada como uma ciência que estuda os fatos humanos mais superficiais e mais fortuitos, porém, ésua intenção é lidar com sua significação mais ampla e deixa claro que está se referindo unicamente à pesquisa. Também deixa claro que a escolha do historiador está ligada a realidade post à sua frente.
Quando fala da história e dos homens é categórico em afirmar que a história não é a ciência do passado. Afirma que sem uma decantação previa não é possível fazer de fenômenos contemporâneos,matéria de um conhecimento racional.
Bloch faz uma contraposição aos antigos historiadores e da história que por eles era estudada. Fala a respeito dos antigos historiadores estudarem os astros, os fenômenos naturais na história, porque a própria palavra é usada para definir mudança na duração, e deixa explícito que esta não é a história dos historiadores.
Bloch aponta para a necessidade dedividir o que cabe a cada área do conhecimento estudar, e que, portanto, ao historiador cabe estudar as mudanças que ocorreram por intermédio do homem. É ai que percebemos que Bloch entende a história como a ciência que estuda os homens no tempo, pois é o homem que modifica e remodela de acordo com as suas necessidades o ambiente em que vive.
“Há muito tempo, com efeito, nossos grandes precursores,Michelet, Fustel de Coulanges, nos ensinaram a reconhecer: o objeto da história é, por natureza, o homem . Digamos melhor: os homens. Mais que o singular, favorável à abstração, o plural, que é o modo gramatical da relatividade, convém a uma ciência da diversidade. Por trás dos grandes vestígios sensíveis da paisagem, [os artefatos ou as máquinas,] por trás dos escritos aparentemente mais insípidose as instituições aparentemente mais desligadas daqueles que as criaram, são os homens que a história quer capturar. Quem não conseguir isso será apenas, no máximo, um serviçal da erudição. Já o bom historiador se parece com o ogro da lenda. Onde fareja carne humana, sabe que ali está a sua caça.”
(p.54)

O autor se pergunta se a história seria ciência ou arte, e deixa claro que a entende...
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