A alienação na Era da Informação

Páginas: 5 (1038 palavras) Publicado: 22 de outubro de 2013

Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
1º Ciclo de Jornalismo
Socio-Economia dos Media – Docente: Dr. Carlos Camponez






Dissertação

A Alienação na Era da Informação

Inês Santos Ferreira
2011142594






4759 Caracteres
(sem espaços)

“Autómato da Informação” foi o título escolhido por Ramonet para o seu texto onde fala sobre o panorama da informação naatualidade, onde se trata, como explana, de um mecanismo irrefletido. Neste pequeno escrito aborda as variadas restrições e coações na informação devido à lógica concorrencial de mercado, que torna primária a procura de rentabilidade. Também Bordieu tratou a imposição da lógica comercial em relação às produções culturais expressando uma “mentalidade de níveis de audiências”, onde se exerce umagrande concorrência sobre o signo temporal. Ora, na urgência não é possível pensar, o que conduz a uma informação pouco aprofundada e por isso de qualidade reduzida, caracterizada por “ideias feitas” facilmente aceitáveis, servindo uma espécie de “fast-food” cultural ou informação low cost, como refere Ramonet. Este tipo de informação representa no entanto um grande volume de negócios, uma vez que ofornecimento de informação é feito a um preço reduzido, muitas vezes por jovens principiantes que tratam um grande leque de assuntos.
Perante esta realidade, há uma contradição que assombra todos os universos de produção cultural: por um lado os valores de liberdade e autonomia e por outro as limitações associadas ao nível de audiências. A pergunta que se coloca é: “Qual a autonomia dojornalista quando está subjugado a uma lógica concorrencial?”. Com base nos critérios de alienação propostos por Karl Marx, verificam-se dois tipos de falta de autonomia e alienação por parte do jornalista: exterior na medida em que está sujeito a uma coação física em que perde o direito sobre o que produz, cedendo na maior parte das vezes os direitos de autor (limitação à apropriação indevida formuladapor Marx) à empresa que detém o órgão de comunicação; e interior referindo-se a uma coação psicológica, onde o jornalista ou os produtores de informação se abstraem das suas convicções para das resposta às necessidades exigidas pelos níveis de audiência.
A autonomia do jornalista, quando profissionalizado, deve centrar-se nos princípios de serviço público e está protegida pelo códigodeontológico, podendo recusar-se a aplicar determinadas decisões. No entanto, o jornalismo e os conselhos de redação coexistem, separados por uma “parede simbólica” da autonomia, com a publicidade, onde o objetivo é vender, resultando numa mercadorização das notícias. A conjugação destes factores origina aquilo a que Theodor Adorno chama de nivelamento por baixo da cultura de forma a alcançar públicos demassa e a não elitizar a cultura, assistindo-se por consequência a uma homogeneização dos conteúdos, onde reina um consenso cego, não elucidado, acrítico e por isso alienado. Adorno e Horkheimer, teóricos apocalípticos da Escola de Frankfurt defendiam assim a inexistência de autonomia na produção, uma vez que o seu trabalho se constituiria de um esforço para alcançar as audiências, criticando assima cultura industrial.
Walter Benjamin por outro lado, apesar de discípulo de Adorno e teórico de Frankfurt, vai de encontro às ideias dos teóricos anteriores, defendendo os benefícios da multiplicação num mercado livre. Benjamin postula que a sociedade de massas encontra capacidade de emancipação e participação na lógica comercial, uma vez que a reprodutibilidade recria os próprios conteúdos epõe fim à barreira espacial, permitindo a participação do indivíduo na construção, conferindo-lhe uma nova subjetividade.
Separada de discussões teóricas e filosóficas sobre as indústrias culturais surge a perspetiva da UNESCO, mais pragmática e adaptada ao quotidiano. Segundo esta, as indústrias culturais são promotoras da diversidade cultural e postos de emprego, bem como essenciais para a...
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