A alfabetização de crianças com deficiência auditiva

Páginas: 41 (10212 palavras) Publicado: 17 de janeiro de 2013
A integração do aluno com deficiência na Rede de Ensino Cap.3


Capítulo 3 - Com os pés no cotidiano

Começa o período da tarde. A professora entra na sala. Bagunça. Várias crianças falam ao mesmo tempo. Cadernos voam. Um aluno bate com a carteira no chão. A professora grita: "Vamos fazer silêncio, gente!". Ruidosamente, os alunos tomam seus lugares. No meio da baderna, a professora nota queapenas duas crianças permaneceram sentadas e quietas desde que ela entrou na sala. A professora pede silêncio novamente. Dá uma bronca. Manda que peguem o caderno. Alguém diz "Fessora" e começa a contar um episódio qualquer acontecido em sua casa. Ela se esforça para demonstrar interesse. Faz perguntas. Ao mesmo tempo, outro aluno também quer contar uma história. A professora percebe que ele temdificuldade para encadear as idéias de seu relato. Ela, meio atordoada, tenta dar atenção a ambos. Olha o relógio. Quase quinze minutos da aula já se foram. Vira-se para a classe e pergunta quem não fez a tarefa. A gritaria é geral: "Eu fiz, eu fiz, eu fiz, fessora". Cadernos surgem de todos os lados. Eles são quase esfregados em seu rosto. "Vê o meu, vê o meu!"
Essa história com certeza separece muito com as cenas cotidianas de uma sala de aula. A professora percebe que seus alunos exigem que ela atue de formas diversas para atender necessidades diferentes. Essas necessidades afetam a professora, e seus alunos são afetados por sua atuação. E é por isso que nosso olhar precisa estar bidirecionado. Precisamos perceber essa comunicação de mão dupla, entre aluno e professor. Tudo o queacontece com o aluno também nos afeta e vice-versa. É importante ter consciência de que a atuação dos alunos é uma decorrência da nossa própria atuação. Quando esse fato não é percebido, nossa tendência é considerar o espírito baderneiro de uns e o isolamento de outros como algo cuja origem está exclusivamente fora da classe.
A irritação, a impaciência, o desgosto e o estresse são o resultado da nãocompreensão e da má administração do processo ensino-aprendizagem.
Olhando reflexiva e bidirecionalmente, podemos nos perguntar o que sente nosso aluno em função daquilo que ele percebe em nós? Quais os efeitos dessa indagação nas nossas ações e nas ações dos alunos, em nossa relação de sala de aula?
Essas perguntas são básicas e precisam ser consideradas ao analisarmos o que está acontecendoem uma dada relação entre professor e alunos. As respostas que encontrarmos nos permitirão identificar em que precisamos investir para transformar as relações que estiverem prejudicando o processo
ensino-aprendizage.
No esforço de intervir para transformar, o professor tem duas principais
direções de atuação. A primeira direção leva-o ao desenvolvimento de ações de planejamento e de estruturaçãode condições psicossociais que favorecem
efetivamente o processo de ensino-aprendizagem. A segunda direção vai
encaminhá-lo no sentido de conhecer e aplicar adequadamente as ações
didático-pedagógicas propriamente ditas.
Estaremos, aqui, tratando da primeira. Consideramos as ações de planejamento e de estruturação de condições psicossociais como pré-condição para o processoensino-aprendizagem, pois é por meio delas que lidamos com aquilo que se constitui no "ambiente" no qual manifestam-se as necessidades acadêmicas de nossos alunos.

Compreendendo o contexto

É fundamental conhecer nossos alunos e refletir sempre sobre as relações
interpessoais que ocorrem na classe (professor x alunos e alunos x alunos). É normal, em todo agrupamento humano, haver pessoas com quem conseguimosestabelecer laços de empatia e outras com as quais o relacionamento é mais difícil. É freqüente também que tentemos nos livrar de quem nos incomoda. As pessoas muito diferentes de nós ou que não correspondem às nossas expectativas são geralmente os alvos desse processo de exclusão.
As diferenças entre as crianças não são, em geral, respeitadas nem nas famílias, onde os pais costumam estabelecer...
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