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Páginas: 7 (1741 palavras) Publicado: 17 de setembro de 2014
IHU On-Line – O ser humano contemporâneo não está buscando algo diferente na ciência pelo fato de se considerar mais autônomo, mas, ao mesmo tempo, temer a morte, a velhice e as doenças?

Marcelo Gleiser – Pois é... Eu, por exemplo, tenho 150 anos, mas ninguém sabe disso (risos...). A preocupação com os seres humanos está sempre em torno do início e do fim. E em relação à questão do fim estáobviamente o tema do fim da vida humana e a manipulação do tempo. Nos últimos 150 anos a expectativa de vida dobrou. Há 100 anos as pessoas viviam 35, 40 anos em média. E este é um avanço sensacional da medicina e da biologia, que levanta uma porção de outras questões sociais e políticas. Mas não há dúvidas de que, quanto mais aprendemos sobre o universo e sobre nós mesmos, mais autônomos ficamos. Edevemos nos perguntar até que ponto podemos ir. Por exemplo, uma das grandes aflições humanas é a mortalidade. Será que a mortalidade é inevitável? Ou será que pode ser controlável por meio da ciência? Há uma porção de pessoas estudando sobre o processo de envelhecimento, o que acontece com nosso corpo, no funcionamento das células, de forma que, de repente, as coisas comecem a mudar e é umamudança irreversível. Ou não? Ao conhecermos os mecanismos de envelhecimento celular, veremos que, aparentemente, ele tem a ver com os cromossomas, com a parte genética da célula, e parece que um dos pedaços destes cromossomas vai se desgastando com o tempo. E a partir deste desgaste as células não se rejuvenescem da maneira como poderiam. E se conseguíssemos controlar este desgaste, será que dariapara manter uma idade constante? Tem muita gente que aposta nisso.

Existência eterna virtual

Há outros cenários, mais “loucos” ainda. Por exemplo, hoje estamos na era da informação. Tudo é informação, até o código genético. Podemos usar cromossomas para armazenar um livro. Se nós somos informação, será que podemos armazenar a “nossa” informação em uma espécie de disco? Será que poderíamossalvar a essência da nossa personalidade, a nossa memória? E se pudéssemos implantar essa essência em um computador, em uma máquina, que fosse capaz de “rodar o nosso programa”, poderíamos nos tornar imortais dentro dessa máquina? E então passaríamos a existir virtualmente. Qual o futuro da humanidade? Vamos virar cada vez mais máquinas? Pois eu digo que já estamos virando máquinas. Sem o celular nãosomos mais a mesma pessoa. Ele já é parte da gente. Onde termina o ser humano e começa a máquina que também é parte dele? O próprio pensar o ser humano está se transformando de forma profunda e rápida. A novidade do nosso momento é o fato de todos poderem estar conectados sempre, no caso, pela internet, a vila global.

IHU On-Line – O que deve fazer parte da extensão das ciências para além dotradicional método reducionista?

Marcelo Gleiser – A questão é que a ciência sempre reduz para entender. E esse método foi muito eficiente. Só que começamos a nos questionar se existe apenas este mecanismo de explicação, porque existem certos sistemas naturais que não se dão a este tipo de reducionismo. Por exemplo, o cérebro. Se o apresentarmos como um conjunto de neurônios, então bastariaentender como funciona o neurônio para entender o cérebro. Isso jamais vai dar certo. Outro exemplo é o clima. Não dá para entender o clima a partir da troca de calor entre o mar, as florestas e a atmosfera, porque temos uma porção de efeitos, como o sol e a poluição humana interferindo. Esses sistemas complexos precisam de leis da natureza que são novas, que não são redutíveis ou explicáveis a partirdas leis que usamos para entender como funcionam os átomos e os mecanismos mais comuns da natureza. Surge a necessidade de inventarmos uma ciência nova, paralela, que chamamos de ciência da complexidade. Essa ciência traz outra maneira de pensar sobre o mundo. A ideia é a de que há níveis de explicação diferentes adequados a níveis de complexidade diferentes. É como se a própria complexidade do...
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