Universidade de são paulo

Páginas: 24 (5957 palavras) Publicado: 28 de abril de 2013
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A Cultura do Renascimento na Itália em Jacob Burckhardt Mestre Francisco de Paula Souza de Mendonça Júnior Mestre e Doutorando em História e Culturas Políticas/UFMG Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais - FAPEMIG kirijy@gmail.com

Resumo: O presente trabalho realiza uma reflexão sobre o historiador suíço Jacob Burckhardt e sua obra de maior destaque: A Cultura doRenascimento na Itália, não se concentrando em suas mazelas, que já foram apontadas por diversos autores, mas tendo-a como janela para o seu autor. Assim, o que se pretende é refletir sobre a relação de Burckhardt com a história, o Renascimento e o contexto histórico da Europa do século XIX, profundamente marcado pelas transformações engendradas pela Modernidade e tão angustiantes ao autor em questão.Palavras-Chave: Jacob Burckhardt, Renascimento, Historiografia.

Abstract: This paper reflects on the Swiss historian Jacob Burckhardt and his most outstanding work: The Culture of the Renaissance in Italy, not focusing on their sore spots, which have been described by many authors, but having it as a window into his author. Thus, the aim is to reflect on the Burckhardt's relationship with thehistory, the Renaissance and the historical context of nineteenth-century Europe, deeply marked by the changes engendered by modernity and so distressing to the author in question. Key-Words: Jacob Burckhardt, Renaissance, Historiography.

Em 1860 foi publicada pela primeira vez Die Kultur der Renaissance en Italien: ein versuch, em uma pequena tipografia na Basiléa, obra produzida pelohistoriador suíço Jacob Burckhardt (1818-1897). Apesar de hoje ser considerado por muitos especialistas como um dos trabalhos fundadores da chamada história

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cultural, bem como do Renascimento enquanto área de pesquisa, quando do seu lançamento tal obra não conheceu fama instantânea:
A cultura do Renascimento na Itália não foi um sucesso imediato. Na verdade, as primeiras duzentas cópias dolivro tiveram vendagem bastante lenta, e nove anos se passaram até que uma segunda edição se fizesse necessária. No entanto, a popularidade da obra foi crescendo gradualmente, até que ela alcançasse, em 1908, sua décima edição alemã e, em 1925, a 14ª. Indubitavelmente, as 421 ilustrações escolhidas por Ludwig Goldscheider contribuíram para essa popularidade. Em 1885, o livro foi traduzido para ofrancês, em 1905, para o polonês, e, em 1911, para o italiano. A tradução inglesa de Burckhardt surgiu relativamente cedo: em 1878, logo após a publicação dos primeiros três volumes do portentoso O renascimento na Itália (1875-76), de autoria de seu imitador John Addington Symonds. As novas edições de 1890, 1898, 1929, 1944, 1950 e 1989 (excluindo-se as reimpressões), sugerem que a obra atingiu acategoria de um clássico.

(BURKE,

2009:

29-30.

In:

BURCKHARDT, 2009)

A cultura do Renascimento na Itália foi o grande trabalho da vida desse historiador suíço, ocupando-o pelo período de 1846 a 1860, e também um trabalho de grande esforço de análise das fontes e de construção de uma visão coesa acerca do mundo italiano quando do Rinascimento. O livro foi construído em segmentos, sendoque

O primeiro segmento ilustra o efeito da cultura sobre a política, concentrando-se na ascensão de uma concepção nova e

autoconsciente do Estado, que pode ser evidenciada a partir da preocupação florentina e veneziana em coletar dados que, mais tarde, receberiam o nome de estatísticos. É a essa nova concepção que Burckhardt chama “o Estado como obra de arte” (Der Staat als Kunstwerk). Demodo semelhante, o último segmento enfatiza o efeito da cultura sobre a religião, caracterizando as atitudes

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religiosas dos italianos renascentistas como subjetivas e mundanas. [...] Destes, a terceira parte, “o redespertar da Antiguidade”, é a mais convencional. A quinta parte, “A sociabilidade e as festividades”, ilustra a concepção relativamente ampla de cultura de Burckhardt,...
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