Uma visão de humano, demasiado humano

Páginas: 5 (1163 palavras) Publicado: 27 de setembro de 2012
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO – UERJ
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - IFCH
DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA
ESTÉTICA I
Professora: Rosa Dias
Aluna: Celia Mara - 2012 – 01

HUMANO, DEMASIADO HUMANO
UM LIVRO PARA ESPÍRITOS LIVRES
DE FRIEDRICH NIETZSCHE

Capítulo quarto – DA ALMA DOS ARTISTAS E ESCRITORES.

Vamos versar sobre a mudança da visão de Nietzsche, noâmbito da arte, tentando retirar dela o caráter metafísico que até então sempre lhe foi aplicada. Discorrendo comentários sobre as questões que ele levanta neste livro, vamos verificar que Nietzsche fará uma ciência da arte, o que parece dar-lhe um formato mais humano, retirando por completo a divindade do artista e sua arte.
Nietzsche se ocupa da história, querendo derrubar os ídolos. A estética ficaem segundo plano e ele começa a estudar o método de investigação crítica da ciência. Abandona as ideias metafísicas da estética (Dionísio e Apolo), que ele defendia em seu livro “O Nascimento da Tragédia”. Utiliza as metáforas da tocha e do congelamento. Rompe com seu mestre Schopenhauer, pois discorda que a vida prescinde de um consolo metafísico e ainda diz que Schopenhauer introduziu um grandemisticismo com esse conceito de conhecimento intuitivo do gênio, que seria um ser puro, que teria acesso a essência do mundo, sem passar pelo cansaço e rigor de um trabalho.
Com a tocha ele desce ao submundo do ideal humano, no intuito de revelar a natureza demasiadamente humana e declarar guerra contra ela. Uma guerra contra um ideal, silenciosa, que é devastada pelo gelo que congela todos osideais humanos, para depois destruí-los, derrubá-los de seus pedestais. Uma guerra contra o gênio, o santo e o herói.
Em sua investigação filosófico-histórica, ele estuda a gênese da idéia de gênio. Por não acreditar em verdades absolutas, talentos inatos, ele em sua análise acaba descobrindo que há uma conivência inconsciente entre o artista e o público para se criar esse ideal, com o propósitode uma mutua satisfação. Foi a vaidade, o amor próprio, que deu “vida” a esse idealismo, como um culto romântico ao gênio. Ele diz no aforismo 163: “Só não falem de dons e talentos inatos!” (NIETZSCHE, 2000, p.125), ou como diz ainda no decorrer deste mesmo aforismo:
“Podemos nomear grandes homens de toda espécie que foram pouco dotados. Mas adquiriram grandeza, tornaram-se gênios (como se diz)por qualidades de cuja ausência ninguém que dela esteja cônscio gosta de falar: todos tiveram a diligente seriedade do artesão, que primeiro aprende a construir perfeitamente as partes, antes dês ousar fazer um grande todo; permitiram-se tempo para isso, porque tinham mais prazer em fazer bem o pequeno e secundário do que no efeito de um todo deslumbrante.” (NIETZSCHE, 2000, p.125).
O homem deu umdom especial ao gênio, como um milagre, como algo que seria inconcebível a outros humanos “normais”. O que, aliás, tira do artista o próprio mérito do trabalho desenvolvido e segundo Nietzsche, é extremamente perigo para o artista acreditar que é sobre-humano, como diz nesta passagem do aforismo 164: “As consequências em longo prazo são: o sentimento de irresponsabilidade, de direitosexcepcionais, a crença de estar nos agraciando com seu trato, uma raiva insana frente à tentativa de compará-los a outros, ou de estimá-lo inferior e trazer a luz as falhas de sua obra”. (NIETZSCHE, 2000, p.126). Como não usam a autocrítica, deixam de se desenvolver, caindo uma após outro nas reais habilidades humanas, agora precárias, justamente por não se aprimorarem. Mas aos que não conseguem alcançar abeleza da arte, divinizando-a, desculpam-se assim por não conseguirem alcançá-la. Como são “humanos comuns”, jamais as alcançariam. Mas os gênios, esses são especiais. Como diria Goethe, referindo-se a Shakespeare “As estrelas, essas não se cobiçam”. (DIAS, R,. 2000, p. 57). Não há, por isso, competição, eles são diferentes, especiais. São seres inspirados, o que para Nietzsche, é um truque...
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